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Dirigente do Cidadania do Rio Grande do Sul cria petição online contra o desmonte da educação pública pelo governo Bolsonaro

Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

Cursos de ciências sociais e humanas estão na mira de Bolsonaro e do ministro da Educação

O dirigente do Cidadania do Rio Grande do Sul e professor de filosofia, Giovane Vaz, criou abaixo assinado (participe aqui e veja abaixo a petição) com objetivo de mobilizar a sociedade contra o desmonte da educação pública pelo governo Bolsonaro, sobretudo dos cursos de filosofia e sociologia. Ele conclamou todos os filiados do partido a participarem da ação que já alcançou quase 300 mil assinaturas. 

“O governo anunciou, há alguns dias, que poderia fazer um corte total no orçamento dos cursos de filosofia e sociologia das universidades federais condenando-os à completa extinção. A seguir, anunciou um congelamento de 30% no orçamento de todas as universidades federais do País. Me senti na obrigação de tomar alguma atitude para tentar evitar que uma canetada destruísse a profissão de milhares de profissionais. A ferramenta mais simples e eficiente foi a criação de um abaixo-assinado que fiz na plataforma de petições Change.com”, disse.

Giovane Vaz destacou que em menos de duas semanas a ação obteve quase 300 mil assinaturas e recebeu apoio do movimento Acredito, de associações de pós-graduação e de mobilizadores digitais. O anúncio feito pelo presidente Bolsonaro de que a nova gestão do Ministério da Educação estuda a “descentralizar” investimentos aos cursos de filosofia e sociologia” está mobilizando a comunidade acadêmica nacional e internacional. 

“Construímos uma rede de pessoas e instituições que estão se empenhando, a cada dia, para mostrar ao governo que a sociedade é contrária a destruição do ensino superior e que a filosofia e sociologia são cursos relevantes. Um abaixo-assinado de sucesso é o início de uma grande mobilização. As pessoas que assinam estão concordando com um posicionamento e apontando para uma visão de mundo diferente daquela que contestamos”, afirmou.

Para o professor de filosofia e integrante do movimento Acredito, a mobilização é uma forma de mostrar para o governo Bolsonaro que a sociedade e o Cidadania valoriza a educação.

“A participação do Cidadania nessa mobilização é essencial! Vamos mostrar ao governo que nosso partido valoriza a educação, o respeito à pluralidade de ideias e à liberdade de escolhas. Vamos nos juntar aos estudantes, professores e pesquisadores que, atacados de forma incessante, precisam do amparo de toda a sociedade. Precisamos lembrar o governo de que a educação não é um gasto: é um investimento”, defendeu.

Não ao corte no orçamento dos cursos de Filosofia e Sociologia

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou ontem (26/04), em seu Twitter, que pretende reduzir a verba dos cursos de filosofia e sociologia das universidades federais do país, argumentando que o governo deve focar os recursos nas habilidades de “ler, escrever e fazer contas”. Já o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, argumenta que países como o Japão já reduziram os investimentos em cursos de ciências humanas. Assine esta petição para lutarmos contra essa decisão!

O argumento do Presidente Bolsonaro não possui base em quaisquer evidências. Segundo o Censo da Educação Superior de 2017, os cursos de filosofia e sociologia, juntos, possuíam apenas 6 mil alunos matriculados em universidades públicas de todo o Brasil. Considerando que o investimento por aluno de ensino superior é de, em média, R$ 36 mil por ano, apenas. Como comparação, o governo gastará R$ 4,5 milhões com impressos e mouse pads.

Ao contrário do que diz Bolsonaro, ensinar filosofia e sociologia contribui para o aprendizado de português e matemática, por exemplo. A filosofia ensina o pensamento abstrato e a interpretação do mundo. A sociologia dá o contexto do que nós lemos e ajuda na leitura da sociedade. 

Já a justificativa do Ministro da Educação é falha, porque ignora que o Japão voltou atrás na sua política de redução de custos em filosofia e sociologia. Até a Federação de Indústrias do Japão criticou a decisão do Governo, afirmando que o ensino de Ciências Humanas nas universidades é importante para a formação integral dos estudantes de todas as áreas. 

O governo não pode restringir a liberdade dos estudantes mais pobres de decidir qual carreira querem seguir. Por isso, exigimos que o Presidente e o Ministro da Educação reconsiderem a ideia de fazer cortes no orçamento dos cursos de Ciências Humanas do ensino superior.

Para que o Movimento Acredito possa continuar fazendo abaixo-assinados como esse, clique aqui e faça uma doação.

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