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Diversidade 23 protesta contra declarações de Bolsonaro sobre o turismo sexual no Brasil

O Diversidade 23, órgão de cooperação do Cidadania, sucessor do PPS, divulgou carta aberta (veja abaixo) contestando as declarações homofóbicas presidente Jair Bolsonaro sobre o turismo sexual no Brasil.

Nesta quinta-feira (25), em coletiva de imprensa, ao se ver constrangido por perguntas sobre a rejeição pelo Museu de História Natural de Nova Iorque em sediar evento em sua homenagem,  Bolsonaro disse que o Brasil “não pode ser o País do turismo gay”. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”, declarou.

“Pede-se e espera-se que o Congresso não se cale diante de declarações tão bárbaras, emitidas pelo atual ocupante (roga-se que por pouco tempo) da Presidência da República. Chegou o momento de o Congresso fazer valer a letra da lei e instaurarpedido de impeachment do pior presidente da história do Brasil”, diz o documento.

Carta aberta contra as declarações de Jair Bolsonaro sobre o turismo sexual objetificação das mulheres e humilhação dos LGBTIs.

Rio de Janeiro, 26 de abril de 2019.

Inicialmente, pontua-se que ao longo dessa nota se trocará a nomenclatura do cargo
“Presidente da República” por outros termos mais adequados ao atual mandatário do
Executivo Federal. Explico. O artigo 78 da Constituição Federal impõe ao Presidente que
preste “o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis,
promover o bem geral do povo brasileiro”. Ora, quem viola sua atribuição constitucional
e não ostenta postura minimamente ilibada, não merece ser chamado de Presidente.

Isto posto, passa-se não apenas a repudiar, mas a demonstrar o absurdo das falas do
indigno mandatário, que mais uma vez ofende e diminui mulheres e população LGBTI.

Ontem, em coletiva de imprensa, ao se ver constrangido por perguntas sobre a rejeição
pelo Museu de História Natural de Nova Iorque em sediar evento em sua homenagem,
bem como acerca dos corretos apontamentos do Prefeito de Nova Iorque contra sua
pessoa, o bocório sujeito, que não consegue concatenar argumentos com clareza,
disparou sua artilharia de esterco: “… o Brasil não pode ser um País do mundo gay, de
turismo gay. Temos famílias. (…) Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique
à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro.”

Antes de tudo, é preciso lembrar ao soez capitão que o cargo que ocupa impõe que
governe para todos, homens, mulheres, gays, lésbicas, héteros, transexuais e toda sorte
de indivíduo que a espécie humana possa comportar e que esteja em território nacional,
de maneira permanente, ou de passagem. O governo deve promover o bem-estar de
todos e não apenas de seu séquito.

No mais, cumpre apontar, é no mínimo curioso o interesse do Messias dos pés de barro
com o sexo gay. Primeiro publica vídeo de dois homens praticando golden shower, agora
essa convicção de que o Brasil é um paraíso para o sexo gay. Eu, como gay, não vejo o

Brasil como um paraíso, mas talvez as minhas experiências sodomitas não tenham sido
tão boas quanto às do Jair.

O que aconteceu nesse quartel, Jair? Por que tanto medo dos gays? Quem machucou
tão forte esse coraçãozinho?

É um tanto quanto engraçado ver infame personagem se rogando à posição de bastião
das famílias. Logo ele, casado pela terceira vez, e que usou seu filho, ainda com 17 anos,
como instrumento de ataque contra sua ex-mulher, lançando-o candidato a vereador
para roubar os votos da própria mãe. Que pai exemplar, esse que coloca filho e mãe em
posição de atrito.

Lições sobre célula familiar com Jair Bolsonaro? No thanks.

Outro ponto que estapeia a nossa cara na infeliz declaração do boquirroto ruminante é
quando diz “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”. Seria
isso um convite ao turismo sexual no Brasil? O defensor da família vai legalizar os
puteiros (não estou falando do Planalto)? O convite inclui lésbicas?

Não sei se a afirmativa foi feita por desconhecer que o Brasil está na 11a posição do
ranking de exploração sexual de crianças e que somos o país com maior incidência de
tráfico humano na América Latina, sendo que 82% das pessoas traficadas como
mercadoria são mulheres e crianças. Talvez não tenha sido desconhecimento dos dados,
mas verdadeiramente orgulho, afinal, de acordo com o abjeto político, aqui é o lugar
para quem quiser chegar e fazer sexo à vontade, com tantas mulheres quanto conseguir.

Mais uma vez esse homem pequeno objetifica a mulher, rebaixando-a a bem à
disposição do patriarcado, para que se faça com ela o que quiser e bem entender.
Estamos em Gilead (a de The Handmaid’s Tale, não a de Gênesis 31:21) e não fomos
avisados.

Já que estamos falando de Gilead, local bíblico à beira do Rio Jordão, que fica em Israel,
falemos, pois, de Israel.

Não é segredo que a blogueirinha do Planalto lambe a sola do sapato do Netanyahu,
premier de Israel, e coloca essa nação como exemplo a ser seguido pelo Brasil. Pois bem,
que siga o exemplo, especialmente quanto às políticas identitárias pró LGBTI. Israel
reconhece a união civil homoafetiva desde 1993, o casamento entre pessoas do mesmo
sexo desde 2006, a educação nas escolas englobando temática LGBTI desde 2006. Tal
postura do estado Israelense resulta em enxurrada de pink money e em uma das
melhores e maiores paradas gays do mundo. Vamos, Jair?

O nosso Odorico Paraguaçu, pseudo-liberal, fala em fazer negócios sem viés ideológico,
mas pauta seus atos por ações de cunho fundamentalista religioso e ignora, para
agradar sua récua, a gigantesca participação do turismo LGBTI para a Economia.

Conforme dados do Ministério do Turismo, a Parada Gay de São Paulo trouxe para a
cidade 5,5 milhões de pessoas, impulsionando a taxa de ocupação dos hotéis para 90%,
gerando arrecadação para o setor hoteleiro de R$2,4 milhões, além de gerar 3 mil
empregos (diretos e indiretos) durante o final de semana quando ocorreu.1

No mais, a Organização Mundial do Turismo aponta que 10% de todo o turismo mundial
é LGBTI e aproximadamente 15% da movimentação financeira turística mundial é
gerada por este grupo.

Bem, não se pode esperar que o Mussolini tupiniquim conheça esses dados, afinal,
sempre disse que não entende de economia. E após as eleições ficou evidente que
também não sabe ler, escrever, liderar e governar.

Ironias à parte, ponto é que a abissal criatura eleita pelas urnas, mais uma vez, comete
crime de responsabilidade, na forma do artigo 9º, alínea 7, da Lei 1079/ 1950, onde se
aponta que comete crime de responsabilidade contra a probidade da administração
aquele que “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do
cargo”.

Se rebaixar mulheres a status de commodities, estimular o turismo sexual e humilhar
minorias não acarretarem em comportamento absolutamente incompatível com a
dignidade, a honra e o decoro exigidos pelo cargo, então realmente o Brasil deixou de
ser um Estado Democrático de Direito.

Pede-se e espera-se que o Congresso não se cale diante de declarações tão bárbaras,
emitidas pelo atual ocupante (roga-se que por pouco tempo) da Presidência da
República. Chegou o momento de o Congresso fazer valer a letra da lei e instaurar
pedido de impeachment do pior presidente da história do Brasil.

Thiago Carvalho – Diversidade 23 Rio de Janeiro”

1 http://www.turismo.gov.br/%C3%BAltimas-not%C3%ADcias/11457-turismo-feito-com-diversidade.html

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