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‘Bolsonaro está longe da questão democrática’, diz Hamilton Garcia no 3º Encontro de Jovens Lideranças da FAP-PPS

Cleomar Almeida/FAP

Bolsonaro terá de fazer reformas estruturais porque “o País chegou ao fundo do poço”

“É preciso que haja democracia responsável, que leve em conta os problemas reais, e não a demagogia”. A afirmação é do professor universitário e membro do conselho curador da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) Hamilton Garcia. Em palestra, nesta quarta-feira (27), aos participantes do 3º Encontro de Jovens Lideranças da FAP, com apoio do PPS (Partido Popular Socialista), ele disse ser otimista em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), apesar de considerá-lo “longe da questão democrática”.

De acordo com Garcia, o presidente da República é “uma promessa tecnocrática”.

“Ele vai colocar ordem no galinheiro que estava desorganizado”, ironizou o professor.

“Galinheiro diz respeito ao sucateamento dos ministérios, como ocorreu nos governos anteriores, e à política de toma lá da cá”, afirmou, acrescentando que a tecnocracia militar, ao menos até agora, ficou “preservada” da corrupção que atingiu parte da sociedade civil.

“A tecnocracia civil foi fortemente corrompida”, criticou.

“Existe corrupção no Exército? Claro que existe, mas o nível de corrupção faz toda a diferença”, amenizou.

As “rachadinhas” feitas pela família Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e os casos de laranjas do PSL, partido do presidente, “são sinais de que o governo tem elementos patrimonialistas”, na avaliação de Garcia.

“Mas eles [do governo Bolsonaro] não vão poder fazer um grande esquema de corrupção como ocorreu no governo do PT”, disse, ressaltando que os aparatos de fiscalização da administração pública estão mais fortalecidos no País.

O presidente Bolsonaro, segundo o professor, terá de fazer reformas estruturais, porque, conforme acrescentou, “o País chegou ao fundo do poço”.

“Não há outra opção. Sou a favor da Reforma da Previdência. Para mim, ela vai vir pela lei ou na marra”, destacou o palestrante.

Ele disse, ainda, que a transformação política “não depende da direita ou da esquerda”.

“Dependente de como os atores compreendem e interpelam o jogo. Compreender é saber diagnosticar e interpelar é mostrar o caminho da porta da saída. Bolsonaro mostrou a necessidade de ordem e progresso, mas não fala da disseminação dela”, assinalou.

Ainda de acordo com Garcia, o presidente não investe em políticas públicas de ascensão da camada da população “de baixo”.

“Aposta como decorrência natural, mas não está disposto a promover isso como elemento central de seu governo”, afirmou o professor.

Ele acrescentou, ainda, que partido político é fundamental, pois junta conhecimento prático ao teórico.

“Mas se estiver lendo a realidade com os óculos da conveniência, não funciona”.

Encontro

Realizado pela FAP com apoio do PPS, o encontro começou no domingo (24) e termina nesta quinta-feira (28), no Hotel Fazenda Mestre D’ Armas, no município de Padre Bernardo, no Leste de Goiás e a 115 quilômetros de Brasília. A cobertura jornalística do evento também é realizada pelas redes sociais da fundação. Nos três primeiros dias do evento, os participantes debateram temas como democracia, votos facultativo e obrigatório, sistemas políticos, tecnologia, sustentabilidade, educação, economia e desenvolvimento humano. (Cleomar Almeida/Assessoria PPS)

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