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Deputados homenageiam imigrantes italianos em sessão solene da Câmara

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Sessão lembrou o Dia Nacional da Imigração Italiana, comemorado hoje, 21 de fevereiro

Os quase 30 milhões de descendentes italianos que residem no Brasil foram homenageadas nesta quinta-feira (21) em sessão solene da Câmara dos Deputados que comemorou os 145 anos da imigração italiana para o País. Os laços de amizade, a história dos dois países e a cooperação nas áreas econômica e cultural foram lembrados em discursos de deputados, autoridades e convidados.

O deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), autor do pedido de sessão solene, destacou a importância dos imigrantes italianos para o desenvolvimento do Brasil e frisou que essa parceria entre os dois países continua forte.

“O vaivém migratório fez os povos dos dois países cada vez mais íntimos um do outro, apesar de toda a distância física. Além da proximidade cultural, Brasil e Itália também mantêm laços comerciais e financeiros cada vez mais estreitos. Cerca de mil empresas italianas estão instaladas no Brasil, empregando 150 mil trabalhadores”, disse o deputado, que é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Itália.

Rubens Bueno lembrou ainda de seus avós que vieram da Itália para construir uma nova vida no Brasil e acabaram se fixando na cidade de Sertanópolis, no Norte do Paraná. “Sou filho do Acordo de Taubaté que propiciou o desenvolvimento da cultura do café em nosso estado”.

O deputado também agradeceu a participação no evento do jornalista e comentarista político da GloboNews e da TV Globo, Gerson Camarotti, que é descente de italianos e compôs a mesa da sessão.

Mensagem

Em mensagem enviada aos imigrantes e lida por Bueno, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reverenciou a memória dos milhões de italianos que deixaram o seu país para iniciar uma nova vida em território brasileiro.

“O valiosíssimo legado cultural, histórico e econômico do fluxo migratório italiano para nosso País repercute até hoje, com muita intensidade, em todos os setores da vida nacional: nas artes, na música, na arquitetura, na literatura, na gastronomia, na indústria, no agronegócio”, disse.

Maia afirmou ainda que essa parceria continua em expansão e a Câmara, por meio de seus parlamentares, e em especial do Grupo Brasil-Itália, vem incentivando a colaboração entre os dois países. “É enorme o potencial existente numa parceria estratégica com a Itália, nosso Parlamento deve estar atento para inovar e para aproveitar adequadamente as oportunidades já criadas para o estabelecimento das relações político-diplomáticas ítalo-brasileiras. Vocação e motivação para tanto não nos falta. Se formos medir o tamanho da bancada de ‘oriundi’ entre nós, ela certamente será uma das maiores desta Casa”, destacou.

Memória

Já o embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, fez uma homenagem ao ex-senador Gerson Camata, que faleceu tragicamente há poucas semanas. Ele foi o autor da lei que instituiu o dia 21 de fevereiro como o Dia Nacional do Imigrante Italiano.

“Com esta comemoração, damos corpo e voz à memória que está nas raízes de nossa herança histórica comum. Milhões de italianos vieram para cá em busca de um futuro, e dedicaram todos os seus esforços para construir o futuro deste grande país que é o Brasil. Se eu tivesse que expressar esse conceito com apenas uma palavra, diria que esta memória representa as próprias raízes da nossa identidade”, afirmou.

O embaixador disse ainda que existe um patrimônio visível e tangível, gerado pelo trabalho dos imigrantes italianos. “Homens e mulheres, que, sem poupar-se, com determinação e dignidade, proporcionaram sua contribuição para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, dos setores da agricultura e alimentício, dos transportes, das construções, com investimentos das grandes empresas italianos que acreditaram e continuam acreditando firmemente nesta país. Esta colaboração global – política, econômica, cultural e social- é um capital que se renova ao longo do tempo”, ressaltou.

Parcerias

Deputada na Itália entre 2013 e 2018, a ítalo-brasileira Renata Bueno afirmou que a sessão solene reforçava a importância da história de brasileiros e italianos nestes 145 anos desde o início da imigração. Ela também falou que, como deputada na Itália representando o Brasil, pode ajudar a estreitar ainda mais os laços e as parcerias entre os dois países.

“Eu fui parlamentar durante cinco anos na Itália, a primeira a nascer no Brasil e ter essa representação, e pude trazer, tanto ao Brasil quanto a Itália, tudo isso que nos une. Cooperação de todos os tipos. Queria ressaltar a importância de mantermos ativa essa história, que conta a história de nossas vidas. E essa responsabilidade se dá aos parlamentos dos dois países e a esse grupo aqui presente que tem tantas iniciativas para manter viva a nossa história”, disse Renata Bueno.

Descendentes

A deputada federal Carmen Zanotto (PPS-SC) também destacou a importância da sessão e lembrou um pouco de sua história como descendente de italianos.

“Como filha e neta de italianos tenho uma história um pouco diferente da história do café (da família de Rubens Bueno). A minha é a história da uva e foi para o Rio Grande do Sul que meus avós rumaram. Meus pais lá nasceram e eu acabei nascendo em Lages, Santa Catarina, exatamente devido a produção do vinho. Se produzia no Rio Grande e se comercializa na cidade de Lages. Quero parabenizar todos os homens e mulheres que vieram, com muita dificuldade, para o nosso Brasil e aqui desbravaram áreas de terras hostis, mas produziram, geraram seus filhos e netos, nos educaram, e nos permitem lembrar de onde viemos e onde estamos”, disse a deputada.

Já a deputada federal Paula Belmonte (PPS-DF), também descendente de italianos, se disse “abraçada” pela sessão que aconteceu na Câmara. “Quero poder contribuir para que os imigrantes e também os descentes desses imigrantes possam ser contemplados e abraçados aqui no Brasil”, disse a parlamentar que, como integrante do Grupo Parlamentar Brasil-Itália, também irá atuar no apoio aos brasileiros que moram na Itália e aos descendentes que residem no Brasil e buscam alcançar a cidadania italiana.

História

O dia 21 de fevereiro foi designado Dia Nacional da Imigração Italiana porque, há exatos 145 anos, aportou em Vitória, Espírito Santo, o navio a vela La Sofia, trazendo mais de 380 italianos para trabalhar numa fazenda da província. O fato é considerado por muitos o marco inicial da imigração italiana para o Brasil.

Naquela época, o Brasil estava importando mão de obra. De 1870 a 1920, vieram para o país 1 milhão e 400 mil imigrantes italianos. Muitos foram trabalhar nas fazendas de café; outros foram viver em núcleos de povoamento, principalmente na região Sul; e outros ainda foram para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, onde se empregaram na indústria nascente e no comércio.

Desde meados do século passado, o fluxo se inverteu: a Itália passou a atrair imigrantes, inclusive do Brasil. Mais de 70 mil brasileiros vivem no país europeu.

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