PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

PORTAL NACIONAL

Vale sabia de problemas na barragem de Brumadinho, diz jornal

Troca de e-mails mostra que Vale sabia de risco da barragem

BELA MEGALE E MATEUS COUTINHO – O GLOBO

Uma troca de e-mails entre funcionários da Vale e a empresa responsável pela segurança da barragem de Brumadinho (MG), que rompeu causando a morte de pelo menos 150 pessoas, mostrou que os problemas na estrutura eram conhecidos pela mineradora. As mensagens relatando mau funcionamento dos medidores do nível de água e pressão, chamados de piezômetros, foram escritas entre 23 e 24 de janeiro. A tragédia ocorreu no dia 25.

O engenheiro Makoto Namba, do grupo alemão TÚV SÚD, uma das empresas responsáveis por monitorar a segurança da barragem, foi confrontado pelo delegado da Polícia Federal Luiz Augusto Pessoa Nogueira sobre os e-mails. As mensagens, trocadas entre cinco funcionários da Vale e três da TÚV SÚD, afirmavam que cinco piezômetros não estavam funcionando e que também havia dados discrepantes em outros equipamentos de medição.

Em depoimento ao qual O GLOBO teve acesso, Namba relatou que só tomou conhecimento dos dados após o rompimento da barragem (seu nome não estava entre os que receberam os e-mails).

Ele foi indagado sobre qual providência adotaria se seus filhos estivessem no local, diante das observações que apareciam na troca de mensagens.

“Após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para seu filho para que evacuasse do local bem como que ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM (Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração) para as providências cabíveis”, relata o documento da Polícia Federal. Namba foi preso na semana passada e solto há dois dias pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

RELATO DE PRESSÃO DA VALE

No depoimento à PF, Namba relatou a pressão de funcionários da Vale para que o laudo de estabilidade da barragem fosse aprovado. Em uma reunião com a equipe da mineradora sobre o documento assinado por ele, o engenheiro disse ter ouvido de um funcionário da Vale chamado Alexandre Campanha: “A TÚV SÚD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Na ocasião, Namba disse que assinaria o documento se a empresa se comprometesse com as melhorias.

“Apesar de ter dado esta resposta para Alexandre Campanha, o declarante sentiu a frase proferida pelo mesmo e descrita neste termo como uma maneira de pressionar o declarante e a TÚV SÚD a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”, diz o depoimento do engenheiro.

Ainda segundo Namba, a TÚV SÚD realizou estudos de revisões periódicas em 31 barragens de rejeitos de mineração da Vale, e a de Brumadinho foi a que apresentou os riscos mais altos. O engenheiro disse que a probabilidade de rompimento da barragem era de 1 para 5 mil e que esse valor é considerado acima do recomendado pela própria Vale.

Segundo investigadores, além de Namba, um funcionário da própria mineradora relatou ter informado ao diretor da Vale Sudeste, Silmar Magalhães, o terceiro na hierarquia da empresa, que a drenagem que fizeram em junho havia tido problema. O nome da testemunha não foi informado.

Em nota, a Vale informou que vem colaborando “pro-ativamente e da forma mais célere possível” com as autoridades que investigam o rompimento da barragem. A empresa disse que entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e o delegado da Polícia Federal. “A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, diz trecho da nota.

Deixe uma resposta