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Hélio Schwartsman: Divertido, mas…

Foi animada a votação para a presidência do Senado. Confesso que me diverti, mas, se refletirmos mais detidamente, deveríamos ficar preocupados, porque praticamente todos os atores, ainda que em graus variados, se comportaram mal.

O novo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, violou a pudicícia parlamentar ao presidir uma sessão na qual tinha interesses como candidato e atropelou o regimento, tentando impor a votação aberta contra disposição expressa do texto. Pisou na bola antes mesmo de começar a gestão, um recorde.

A turma de Renan Calheiros, que durante algum tempo até teve a razão a seu lado, perdeu-a quando a senadora Kátia Abreu roubou a pasta de Alcolumbre. Nem comento os xingamentos e as quase agressões.

O presidente do STF, Dias Toffoli, não fez nada fragorosamente errado, mas perdeu uma bela oportunidade de exercer a autocontenção que tanto tem faltado à corte. O Supremo, afinal, é o guardião da Constituição, quiçá das leis, mas não dos regimentos. Embora a violação fosse patente, estávamos diante de uma questão de economia interna do Senado, da qual o STF deveria ter se mantido prudentemente afastado em nome da independência dos Poderes.

Senadores agiram como colegiais destemperados. Mas, se queremos que eles cresçam, não dá para mandar o bedel reparar cada uma de suas mancadas. O erro é didático.

Já o governo jogou perigosamente, no limite da irresponsabilidade. Apostou tudo na candidatura de Alcolumbre. Se o jovem senador do DEM tivesse perdido o embate para o rival alagoano, a administração teria de lidar com um Renan Calheiros furioso e com controle sobre a pauta de votações. Repetindo Dilma, a gestão Bolsonaro teria criado seu próprio Eduardo Cunha.

Como Alcolumbre venceu, resta um Renan furioso, mas sem meios de causar cataclismos para o governo. Poderá e deverá chatear, mas numa escala provavelmente administrável. (Folha de S. Paulo – 05/02/2019)

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