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Otimismo com novo Congresso chega a 56%, aponta Datafolha

Maioria se diz otimista com novo Congresso

Apesar de continuar muito alta, caiu para 48% a rejeição ao atual trabalho de deputados e senadores, mostra pesquisa do Datafolha

Ranier Bragon – Folha de S. Paulo

Brasília- A onda que elegeu Jair Bolsonaro (PSL) levou a população brasileira a demonstrar o maior otimismo dos últimos anos com o trabalho de deputados federais e senadores que tomarão posse em 1° de fevereiro, mostra o Datafolha.

Pesquisa realizada na segunda quinzena de dezembro aponta que 56% dos entrevistados dizem acreditar que os novos congressistas terão um desempenho ótimo ou bom, número impulsionado por aqueles que votaram e/ou demonstram otimismo com a gestão de Bolsonaro.

O Congresso que trabalhará de fevereiro de 2019 a janeiro de 2023 terá uma nova feição. Na Câmara, por exemplo, mais da metade de suas 513 cadeiras serão renovadas em relação à atual composição, com destaque para o fortalecimento de grupos de direita alavancados pela onda bolsonarista.

Apesar de ainda ser muito alta, a rejeição ao trabalho desempenhado pelo atual Congresso diminuiu em relação aos recordes verificados em 2017 — agora 48% dos entrevistados apontam ser ruim ou péssimo o trabalho dos parlamentares, contra 60% em novembro de 2017, um mês após a Câmara dos Deputados barrar a segunda denúncia criminal da Procuradoria-Geral da República contra o então presidente, Michel Temer (MDB).

O Datafolha entrevistou 2.077 pessoas nos dias 18 e 19 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

De acordo com o instituto, apenas 8% dizem acreditar que será ruim ou péssimo o desempenho do novo Congresso (28% consideram que será regular).

O Datafolha também fez a mesma pergunta em 2010 e 2014, na véspera da posse do Congresso. O otimismo era de 49% e 40% com o trabalho futuro, respectivamente.

A nova Câmara dos Deputados terá um aumento da representação de militares e líderes evangélicos, enquanto professores e médicos terão participação menor. A guinada conservadora no Congresso, ocorrida com base no resultado das urnas, também vai reforçar a atuação das bancadas temáticas conhecidas como “boi, bala e Bíblia” — frentes parlamentares pautadas por interesses do agronegócio, de setores linha-dura da segurança pública e de religiosos.

Além de projetos relativos a costumes — aliados de Bolsonaro tentarão emplacar novamente a Escola sem Partido —, a prioridade dos parlamentares no primeiro semestre deverá ser a análise da reforma da Previdência, projeto que foi engavetado pela legislatura que se encerra no dia 31. Em relação ao trabalho que se iniciou em fevereiro de 2015 e termina agora, a aprovação (ótimo e bom) aos congressistas é de apenas 13%.

Apesar de ser baixa, cresceu em relação a novembro de 2017, quando era de só 5%. A atual legislatura foi, na média, a mais mal avaliada da história recente. Ela começou sob o comando de Eduardo Cunha (MDB-RJ) na Câmara, condutor do processo que resultou no impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016. Hoje Cunha está preso em decorrência das investigações da Operação Lava Jato.

Após assumir o governo, em maio de 2016, Michel Temer formou seu ministério com vários congressistas, o que o ajudou na tarefa de barrar na Câmara as duas denúncias criminais da Procuradoria-Geral da República contra ele.

Um mês após congelar a segunda, o Congresso atingiu o seu recorde de reprovação popular, segundo Datafolha, 60% de rejeição em novembro de 2017.

Do ponto de vista da imagem negativa de deputados e senadores, só dois períodos se aproximaram do atual, desde a redemocratização do país.

Em 1993, último ano da hiperinflação e data do estouro do escândalo dos Anões do Orçamento — grupo de congressistas acusados de desviar recursos públicos para os próprios bolsos —, quando a reprovação estava em tomo de 55%; e em 2005, ano da revelação do esquema do mensalão, quando chegou a 48%.

A estratificação dos dados da pesquisa do Datafolha mostra que os entrevistados que se declaram com ensino superior e os mais ricos são os mais críticos em relação ao atual Congresso e os mais pessimistas com o próximo.

Para esses, a rejeição à atual legislatura fica em torno de 60% e o otimismo com a próxima não supera 48%.

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