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Novo governo registra primeira baixa com demissão de presidente da Apex

Presidente da Apex desafia chanceler e é demitido

Executivo – Alex Carreiro teve sua exoneração anunciada anteontem pelo chanceler Ernesto Araújo, mas trabalhou ontem sob alegação de que só Bolsonaro poderia desligá-lo

O Estado de S. Paulo

Dez dias depois da posse, o governo Jair Bolsonaro demitiu ontem o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alex Carreiro, que será substituído pelo embaixador Mario Vilalva. A primeira baixa num posto de comando do Executivo foi confirmada pelo próprio Bolsonaro após Carreiro desafiar o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O chanceler anunciou a exoneração no dia anterior, mas o presidente da Apex trabalhou ontem normalmente, sob a alegação de que só Bolsonaro poderia demiti-lo.

O episódio causou desgaste para Araújo. Na noite de anteontem, o ministro anunciou no Twitter que Carreiro havia pedido demissão e seria substituído por Vilalva. O comunicado foi contestado pelo presidente da Apex. Inconformado, ele permaneceu no cargo e obrigou Bolsonaro a divulgar nota ratificando a demissão 24 horas depois da postagem do chanceler – a agência de exportação é um órgão ligado ao Itamaraty.

O presidente também utilizou o Twitter para divulgar que havia recebido Vilalva e Araújo no Planalto. Antes mesmo do anúncio oficial, a foto dos três já circulava nas redes sociais. A imagem foi publicada por Bolsonaro com a mensagem: “Recebi hoje o embaixador Mario Vilalva, indicado pelo chanceler Ernesto Araújo para o cargo de presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Boa noite a todos!”.

A demissão ocorreu em meio à tentativa do governo de superar divergências entre os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Paulo Guedes (Economia) e depois da polêmica em torno da promoção de Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, para o cargo de assessor especial da presidência do Banco do Brasil com um salário três vezes maior que o atual.

“Encerramento”. Anteontem, Araújo escreveu que Carreiro pediu “o encerramento de suas funções como presidente da Apex”. “Agradeço sua importante contribuição. Levei ao presidente Bolsonaro o nome do embaixador Mario Vilalva, com ampla experiência em promoção de exportações, para presidente da Apex.”

A exoneração, no entanto, não teria ocorrido a pedido de Carreiro, mas por iniciativa do chanceler, provocada por pressões de dirigentes da agência descontentes com demissões promovidas na gestão relâmpago do chefe da Apex. Interlocutores de Carreiro disseram que ele teria se reunido com Araújo para reclamar de outra indicação de Bolsonaro para a agência: a diretora de Negócios, Letícia Catellani, que foi assessora de Araújo durante a transição de governo. Letícia foi funcionária do diretório estadual paulista do PSL, do qual saiu por divergências com a direção nacional.

De acordo com fontes ouvidas pelo Estado, Letícia ficou descontente com o fato de Carreiro ter exonerado 18 pessoas em menos de uma semana e queria reverter as demissões. Na reunião, Araújo sugeriu que Carreiro pedisse demissão, mas ele se negou. Ao sair do encontro, o chanceler publicou o comunicado no Twitter. O presidente da Apex viu no ato uma tentativa de criar um “fato consumado” para forçá-lo a sair do cargo.

Em nota, a agência disse que Carreiro fora nomeado por Bolsonaro – portanto, não por Araújo. A Apex informou que ele cumpriu expediente normalmente, contrariando a demissão anunciada. Segundo a Apex, Carreiro fez “despachos internos” e recebeu “autoridades de Estado”. A agenda não informava quais eram os compromissos nem com quem ele se reuniu.

Políticos. Carreiro acionou contatos políticos em busca de apoio. Enviou a deputados do PSL mensagens de WhatsApp que mostrariam que ele estava sendo forçado a deixar o cargo. Numa tentativa derradeira, recorreu a interlocutores no Planalto, mas, segundo assessores de Bolsonaro, ele não foi recebido pelo presidente.

Araújo, então, procurou Bolsonaro. Em reunião de última hora, levou Vilalva ao encontro do presidente, que posou para a foto, num sinal de que a demissão seria confirmada. A expectativa era de que a exoneração de Carreiro e a nomeação de Vilalva sejam publicadas no Diário Oficial da União de hoje.

Araújo teve ainda reunião com o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, na manhã de ontem. Mas, segundo o GSI, eles não trataram do caso Apex. O Itamaraty disse que não comentaria o caso. A Presidência da República não respondeu. (FELIPE FRAZÃO, JULIA LINDNER, LORENNA RODRIGUES e VERA ROSA)

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