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Gastão Rúbio de Sá Weyne: O Partido dos Trabalhadores como um demolidor da esquerda brasileira

1. Direita e esquerda

É de domínio público que, apesar de renegadas, a direita e a esquerda persistem como palavras-chave do discurso político, preservando toda a carga emotiva com que têm sido empregadas desde a Revolução Francesa.

Em sua obra Direita e Esquerda, Norberto Bobbio defende que,
quando se atribui à esquerda uma maior sensibilidade para diminuir as desigualdades, não se deseja dizer que ela pretende eliminar todas as desigualdades ou que a direita pretende conservá-las todas, mas no máximo que a primeira é mais igualitária e a segunda é mais inigualitária.

No cenário político brasileiro, a mídia tem considerado que a esquerda é representada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Em síntese, o PT arruinou a reputação da esquerda brasileira por ser uma organização aética – e, em consequência, sem ideologia – composta, em grande parte, por corruptos envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro, recebimento de propinas e formação de quadrilhas. Veja-se ser de conhecimento público que seu chefe maior, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado, em julgamento de segunda instância, a 12 anos e um mês de cadeia, encontrando-se preso atualmente em Curitiba-PR, uma mancha vergonhosa e inapagável na história política do país.

2. A corrupção no Partido dos Trabalhadores (PT)

Os registros históricos, de domínio público, sobre o governo do Partido dos Trabalhadores no Brasil mostram que o ciclo do PT no poder durou exatas 698 semanas e cinco dias. Da posse de Lula, em janeiro de 2003 ao afastamento de Dilma, em maio de 2016, os escândalos políticos e casos de corrupção sempre estiveram presentes no primeiro escalão do governo. Ao todo, as denúncias comprovadas nos últimos 13 anos somam mais de R$ 47 bilhões em desvios, conforme estatísticas recentes.

Foi no início de 2004 que surgiram as primeiras evidências do esquema do mensalão, maior escândalo do primeiro mandato de Lula. O governo estabelecera uma propina que o governo pagava, com dinheiro público, a parlamentares para votar a favor das propostas petistas no Congresso. O articulador do mensalão foi o ministro José Dirceu (PT), chefe da Casa Civil. As estimativas apontam um desvio superior a R$ 200 milhões, além de repasses de verbas para deputados participantes do esquema.
No ano seguinte, em 2005, Dirceu deixou o governo. Nesse mesmo ano, no mês de julho, chegou ao auge o escândalo envolvendo o senador Romero Jucá, do PMDB, que, na condição de ministro da Previdência, fez empréstimos de R$ 18 milhões de bancos públicos usando como garantia sete fazendas que não existiam. Na mesma época, estourou o esquema de corrupção apurado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, que detectou um desvio superior a R$ 7 milhões de dinheiro público para políticos e empresários.

Em 2007, Lula iniciou o seu segundo mandato, após a reeleição, com novas suspeitas de corrupção. Na pasta do Trabalho, sob o comando do aliado Carlos Lupi, foi descoberta uma fraude envolvendo Organizações Não Governamentais (ONGs) e fundos destinados a programas para desempregados que somaram R$ 18 milhões em desvios e custou o cargo do ministro, que é presidente do Partido Democrático Trabalhista, fundado por Leonel Brizola.

Em outubro de 2012, oito anos após a explosão do escândalo do mensalão, José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, todos do PT, foram condenados por corrupção ativa e formação de quadrilha. Em agosto de 2014, Genoíno, que se encontrava preso junto com Delúbio e Dirceu, na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, pediu progressão de regime e passou a cumprir a pena em casa,assim como seus dois outros companheiros petistas.

Um dos escândalos mais recentes que envolveu o PT foi a denúncia feita por Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, nas investigações da Operação Lava-Jato. De acordo com o delator, no período de 2003 a 2013 o partido recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina de 90 contratos firmados pela estatal.

Em uma longa coletiva transmitida pela TV a cabo, os procuradores acusaram formalmente o ex-presidente da República de ter recebido 3,7 milhões de reais em propinas da empreiteira OAS. O pagamento, de acordo com a acusação, teria sido feito de maneira dissimulada por meio da entrega de um apartamento tríplex no Guarujá, da reforma feita deste mesmo imóvel e da contratação de uma empresa de transportes para armazenar parte do acervo pessoal de Lula em um galpão da empresa Granero, na Grande São Paulo. Os advogados do ex-presidente negam que ele tenha cometido qualquer crime, reafirmam que ele não é dono do triplex e caracterizaram a ação como política.

A tese maior da “propinocracia”, porém, visava explicar todo o esquema de corrupção na Petrobrás, de onde estimativas apontam que foram pilhados 6 bilhões de reais desde 2003. Por ela, boa parte da diretoria da estatal responsabilizada pelos desvios só estavam nos cargos porque obtiveram o apoio de partidos como o PT, o PMDB e o PP, desde que desviassem recursos para essas legendas e seus dirigentes. Tudo sob as bênçãos do então presidente Lula. “Sem o poder de decisão de Lula, esse esquema seria impossível”.

Essas mesmas irregularidades, segundo os procuradores, se espalharam para outros órgãos estatais como a Eletrobrás, a Caixa Econômica Federal e para os ministérios da Saúde e do Planejamento. Em diversas ocasiões, Deltan Dallagnol ressaltou que o poder de decisão era de Lula e que não havia como ele negar desconhecimento dos crimes ocorridos na estatal petroleira. Para corroborar suas acusações, o procurador disse se basear em afirmações dadas por acusados que firmaram acordos de colaboração com a Justiça, como o ex-senador Delcídio do Amaral e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

O chefe da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol, apontou 12 pessoas que eram próximas a Lula na época do mensalão e acabaram sendo investigadas também pela Lava-Jato. A análise do mensalão em conjunto com a Lava-Jato apontou para o ex-presidente como o comandante dos esquemas. “Mensalão e Lava-Jato são duas faces de uma mesma moeda”, segundo os procuradores.

“Ambos são esquemas de corrupção desenvolvidos por um mesmo governo e por um mesmo partido com, em geral, três objetivos: alcançar a governabilidade corrompida, perpetuar-se criminosamente no poder e enriquecer ilicitamente”, disse ele. Há uma foto da exposição, em power point, do procurador Deltan Dallagnol, indicando Lula como o chefe da quadrilha.

Um escândalo mais recente que envolve o PT foi a denúncia feita por Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços da Petrobras, nas investigações da Operação Lava-Jato. De acordo com o delator, no período de 2003 a 2013, o partido recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina de 90 contratos firmados pela estatal.

Em uma longa coletiva, transmitida pela TV a cabo, os procuradores acusaram formalmente o ex-presidente Lula de ter recebido 3,7 milhões de reais em propinas da empreiteira OAS. O pagamento, de acordo com a acusação, teria sido feito de maneira dissimulada por meio da entrega de um apartamento tríplex no Guarujá, da reforma feita deste mesmo imóvel e da contratação de uma empresa de transportes para armazenar parte do acervo pessoal de Lula em um galpão da empresa Granero, na Grande São Paulo. Os advogados do ex-presidente negam que ele tenha cometido qualquer crime, reafirmam que ele não é dono do triplex e caracterizaram a ação como política.

O chefe da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol, apontou 12 pessoas que eram próximas a Lula na época do mensalão e acabaram sendo investigadas também pela Lava-Jato. A análise do mensalão, em conjunto com a Lava-Jato, apontou para Lula como o comandante dos esquemas. “Mensalão e Lava-Jato são duas faces de uma mesma moeda”, segundo os procuradores. “Ambos são esquemas de corrupção desenvolvidos por um mesmo governo e por um mesmo partido com, em geral, três objetivos: alcançar a governabilidade corrompida, perpetuar-se criminosamente no poder e enriquecer ilicitamente”, disse ele. Em exposição, o procurador Deltan Dallagnol indicou Lula como o chefe da quadrilha.

Em 2002, Dilma assumiu o cargo de Ministra de Minas e Energia no governo Lula. Além disso, foi nomeada presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, cargo que exerceu até março de 2010. Em 2005, passou a ser ministra-chefe da Casa Civil no lugar de José Dirceu, que deixou o governo acusado de fazer parte do esquema de corrupção do mensalão. Na Casa Civil, Dilma assumiu o controle do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), um projeto para promover crescimento econômico por meio de grandes obras de infraestrutura.

Em 2007, Lula iniciou o seu segundo mandato, após a reeleição, com novas suspeitas de corrupção. Na pasta do Trabalho, sob o comando do aliado Carlos Lupi, foi descoberta uma fraude envolvendo Organizações Não Governamentais (ONGs) e fundos destinados a programas para desempregados que somaram R$ 18 milhões em desvios e custou o cargo do ministro Lupi.

Dilma Rousseff foi a primeira mulher eleita presidente da República do Brasil, após décadas de militância política que incluíram a luta armada contra o regime militar e cargos de primeiro escalão no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a queda brusca de sua popularidade, enfrentou um processo de impeachment e perdeu o mandato em 31 de agosto de 2016.

Escolhida por Lula para lhe suceder, Dilma se candidatou à Presidência da República nas eleições de 2010. Ela venceu com 56,05% dos votos e se tornou a primeira mulher a comandar o país. Sua Presidência ficou marcada por uma série de medidas intervencionistas na economia. Ela promoveu a queda dos juros, desonerou diversos setores da economia e promoveu a mudança de contratos com concessionárias de energia para derrubar o preço da conta de luz. Ainda em seu primeiro mandato, Dilma enfrentou denúncias de corrupção em sua base governamental. Com seis meses de governo, ela promoveu a primeira “faxina”, demitindo alguns ministros.

Em 2013, Dilma enfrentou sinais de insatisfação da população com seu governo. Manifestações de rua, inicialmente contra a tarifa do transporte público em São Paulo, se espalharam por várias cidades do país. Os protestos logo viraram mostra de insatisfação geral contra os políticos. A aprovação do governo Dilma caiu 27 pontos e ficou abaixo dos 30%.

Mesmo com queda de popularidade, Dilma enfrentou uma nova campanha eleitoral e saiu vitoriosa em 2014, reelegendo-se com 51,6% dos votos.
Um pedido de impeachment elaborado por juristas pediu o afastamento da presidente Dilma por “pedaladas fiscais”, manobras que o seu governo fez para maquiar as contas públicas. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um opositor de Dilma, aceitou o requerimento. O pedido de impeachment foi aprovado, na Câmara, em 17 de abril. No Senado, a admissibilidade do impeachment foi aprovada em 11 de maio, quando Dilma foi afastada do cargo. Seu vice, Michel Temer, assumiu a presidência.

Constata-se, pelos fatos aqui narrados, que o PT contribuiu, de forma significativa, com o seu exemplo indigno, para a demolição da esquerda brasileira, que esse partido tentava representar.

A nova e diferenciada esquerda no Brasil

Como nascente esperança, feliz realidade e com muita discrição, subsistem grupos da esquerda brasileira como, entre outros, o formado por homens e mulheres, entre eles intelectuais marcantemente estudiosos do marxismo e do neomarxismo que escrevem artigos em revistas culturais e políticas e publicam muitos livros para discussão de suas ideias.

Esta é uma legítima esquerda do país, em crescimento, sempre antenada com as mudanças que a sociedade humana vem assistindo e participando ativamente da batalha de ideias, travada em seus enriquecedores encontros assim como nos periódicos culturais e políticos do Brasil, seja em papel ou na forma on line.

Gastão Rúbio de Sá Weyne, professor associado (aposentado) do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da USP; tenente-coronel reformado do Exército (perseguido e preso no golpe militar de 1964); escritor (membro vitalício da Academia Luso-Brasileira de Letras, Rio de Janeiro-RJ); advogado e doutor em Direito (FDUSP, Largo de São Francisco) e pós-doutor em Design Projects pelo University College, de Londres-Inglaterra

Referências

AMARAL, Oswaldo E. do. O Partido os Trabalhadores entre 1995 e 2009. São Paulo: Alameda 2013.
ARAUJO, Celso Arnaldo. Dilmês – O Idioma da Mulher Sapiens. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004.
AYEK, F. A. Os Erros Fatais do Socialismo. Barueri-SP: Faro, 2017.
BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda. São Paulo: UNESP, 1995.
CARONE, Edgard. Da Esquerda à Direita. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1991.
FORTUNATI, José; HOHLFELDT, Antônio. O Fascínio da Estrela. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2001.
MARTINS, Cristiano Zanin. O Caso Lula. São Paulo: Contra Corrente, 2017.
ROTHBARD, Murray N. Esquerda e Direita. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988.
SINGER André. O Lulismo em Crise. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

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