PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

PORTAL NACIONAL

Na 3ª delação, alvo de Palocci é atuação de Lula em desvios de fundos de pensão para construção de usina no Pará

Eraldo Peres/AP

Palocci: Lula interferia em investimentos dos fundos de pensão desde a década de 1990

O ex-ministro do governo do PT, Antonio Palocci, fechou nesta quarta-feira (09) o terceiro acordo de delação premiada, agora com os procuradores do MPF (Ministério Público Federal) da força-tarefa da Operação Greenfield, deflagrada em 2016, que investiga desvios e fraudes em fundos de pensão ligados a empresas e bancos estatais. O primeiro acordo assinado pelo ex-ministro com o MPF ainda precisa ser homologado pela Justiça.

Desde segunda-feira (07), Palocci prestou depoimentos aos investigadores na Procuradoria da República no Distrito Federal. No relato, o ex-ministro lista uma série de pressões feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos presidentes da Funcef e da Petros para que entrassem como acionistas da Norte Energia, gestora da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Os dois fundos, dos funcionários da Caixa e da Petrobrás, respectivamente, possuem 10% cada de participação na usina. Segundo Palocci, os aportes das instituições para a obra teriam como contrapartida o pagamento de propina para o PT.

Em um primeiro depoimento aos procuradores da Greenfield, ainda em 2018 e sem ter assinado qualquer acordo, Palocci disse que Lula – de quem foi ministro da Fazenda – interferia em investimentos dos fundos desde a década de 1990 e teria recebido propina por sua atuação relacionada à construção de Belo Monte.

“Que em outros casos de atuação direta do ex-presidente Lula, como dos caças, com atuação do presidente francês, receberam vantagens Lula e o PT, ou no caso de Belo Monte”, disse Palocci.

Deflagrada em 5 de setembro de 2016, a Operação Greenfield já havia mapeado em sua primeira fase possíveis irregularidades no investimento em Belo Monte. À época, no pedido de prisão do ex-presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, os investigadores citam um possível desdobramento da apuração cujo alvo seria a obra de Belo Monte.

De acordo com Palocci, Lacerda “tinha uma atuação mais ampla em receber ilícitos” e “que não resistia quase nada” sobre pedidos de políticos do PT para que investimentos dos fundos resultassem em repasses para o partido e campanhas política.

Os outros dois acordos assinados pelo ex-ministro, o primeiro em abril e o segundo em outubro, foram negociados com a Polícia Federal de Curitiba e de Brasília, respectivamente.

Desde 29 de novembro, Palocci está em regime semiaberto diferenciado e cumpre pena em sua casa, em São Paulo. (Com informações das agências de notícias)

VEJA TAMBÉM

Palocci diz que Lula deu benefício para montadora em troca de propina a filho

Deixe uma resposta