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Ex-ministro Antonio Palocci negocia delação que inclui fundos de pensão

Palocci negocia uma nova delação

Preso em regime semiaberto domiciliar, ex-ministro, que já fechou acordo com a PF, discute termos de colaboração com a Procuradoria no DF

Teo Cury, Fabio Serapião – O Estado de S. Paulo

O ex-ministro Antonio Palocci negocia com a Procuradoria da República no Distrito Federal um novo acordo de delação premiada no âmbito da Operação Greenfield, que apura desvios nos maiores fundos de pensão – principalmente Funcef, Petros e Previ –, no FGTS e na Caixa. Ele chegou a Brasília ontem pela manhã. A força-tarefa da operação pediu autorização ao juiz Danilo Pereira Júnior, da 12.ª Vara Federal de Curitiba, para que Palocci fique na capital federal até amanhã para concluir as tratativas. Palocci viajou de São Paulo a Brasília de carro, para evitar exposição em aeroportos. O ex-ministro deixou a prisão em novembro do ano passado, após ficar preso por mais de dois anos, para cumprir pena provisória em regime semiaberto domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Em novembro, o Estado antecipou que Palocci, em delação feita à Polícia Federal, relatou suposta atuação criminosa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, para viabilizar o projeto de nacionalizar a indústria naval e arrecadar recursos para campanhas do PT, em especial a da primeira eleição de Dilma Rousseff, em 2010, na esteira da descoberta do pré-sal. Os dois ex-presidentes petistas, segundo Palocci disse à PF, teriam determinado indevidamente a cinco ex-dirigentes dos fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa (Funcef) e da Petrobrás (Petros), indicados pelo PT, que capitalizassem o “projeto sondas”.

Negociação. Palocci chegou ontem ao prédio da Procuradoria, em Brasília, por volta das 9h30. Três horas depois, deixou o local para almoçar e retornou às 14h para dar continuidade às conversas com a força-tarefa. Encerrou o primeiro dia de depoimento por volta das 18h40 e deixou o prédio acompanhado de seus advogados, sem falar com a imprensa. Quando a Operação Greenfield foi deflagrada, em 2016, a força-tarefa apurava desvios de R$ 8 bilhões nos fundos de pensão Funcef, Petros, Previ e Postalis. No ano passado, ao apresentar relatório, a força-tarefa apontou que os desvios dos fundos de pensão de estatais podem ter um potencial prejuízo de R$ 54 bilhões.

Sete Brasil. A operação financeira que resultou na criação da empresa Sete Brasil, em 2010, buscava viabilizar a construção no País de navios-sonda – embarcações que perfuram os poços de petróleo – para a Petrobrás explorar o pré-sal. “Dentro desse investimento, tinha todo ilícito possível”, afirmou o exministro, em depoimento aos investigadores da PF. A Sete Brasil quebrou cinco anos depois de montada. De 28 navios-sonda contratados com estaleiros no Brasil, a maior parte está com a construção parada ou sequer saiu do papel. À época da divulgação da delação de Palocci, as defesas de Lula e Dilma negaram todas as acusações em relação ao caso e afirmaram que o ex-ministro “mente” para deixar a prisão. Procuradas ontem, elas não haviam sido localizadas até a conclusão da edição.

Cargos. Além de ministro da Fazenda no governo Lula e da Casa Civil da gestão de Dilma, Palocci foi um dos coordenadores das campanhas eleitorais do PT e fazia a interface do partido com o empresariado e com o setor financeiro. Também foi membro do Conselho de Administração da Petrobrás e responsável por indicar alguns presidentes de fundos de pensão das estatais. O ex-ministro foi condenado a 9 anos e 10 dias de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Em setembro de 2016, foi preso na Operação Omertà, um dos desdobramentos da Lava Jato. Para se livrar da prisão, fechou acordo de delação com a PF, homologado pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). A delação tem 18 termos de depoimento.

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