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Rubens Recupero: Tendência do governo Bolsonaro é “cometer desastres na área internacional”

Rafael Roncato/Unisinos

Já é possível ver que “o verdadeiro chanceler é Eduardo Bolsonaro”, diz Recupero

Em entrevista exclusiva à edição de dezembro da revista Política Democrática online (veja aqui), o diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro do Meio Ambiente e da Fazenda, disse que o governo Bolsonaro é “desastroso em política externa”.

“Aliás, uma característica dessa equipe de governo é que eles têm uma tendência de cometer desastres na área internacional”, afirmou.

O diplomata afirmou, ainda, que, “no caso do Itamaraty, a presença de um ideólogo, um doutrinador, vai abrir espaço para canais paralelos à semelhança do que foram os governos do PT com o Marco Aurélio Garcia e com a assessoria que havia na Presidência”.

De acordo com Ricupero, já é possível ver que “o verdadeiro chanceler é Eduardo Bolsonaro”, filho do presidente e deputado federal pelo PSL-SP.

“Foi ele quem parece ter tido maior peso, tanto na escolha do chanceler, como em teses como a da mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém”, afirmou o ex-ministro na entrevista.

De acordo com Ricupero, tudo indica assim que será uma política externa de marginalização violenta do Itamaraty.

“Uma característica curiosa disso é que o futuro chanceler investiu contra os próprios colegas. Não tem precedentes na história da diplomacia brasileira alguém que está se preparando para ser o chefe do Itamaraty, o líder do Itamaraty, comece a manifestar
sua desconfiança e seu desapreço pelos próprios colegas aos quais considera todos como contaminados por ideologia globalista,  pelo PT, por coisas desse tipo”, criticou o diplomata.

Ele ainda avaliou como preocupante a decisão anunciada pelo futuro governo de não sediar a Reunião do Clima em  2019.

“O Brasil não é nem potência nuclear, nem militar, nem econômica, mas é potência ambiental, porque tem a maior floresta equatorial do mundo, a maior reserva de água doce, uma das maiores reservas de diversidade biológica, enorme potencial em
fontes limpas e renováveis, solar e eólica, além de de experiência de quarenta anos com a biomassa do etanol da cana de açúcar”, acentuou ele, na entrevista à equipe da revista.

Na análise do diplomata, o Brasil é incontornável na área ambiental e poderia fazer bela figura naquela reunião.

“Tanto mais porque, sendo um país sem poder como as grandes nações, depende das regras internacionais, depende de um sistema baseado em normas e leis, adotadas em processo democrático, na seara da comunidade de nações, para fazer avançar seus interesses no concerto de nações”, ressaltou Ricupero.

Em outro trecho da entrevista, o diplomata afirmou que a busca do conflito e da tensão é inerente ao tipo de proposta que levou Bolsonaro ao poder e à própria personalidade dele.

“Acho que ele tende a criar conflito, e até o busca conscientemente.  Um exemplo disso é o fim prematuro do Programa Mais Médicos. Ele obviamente quis criar um problema com Cuba, porque antes  mesmo de se pronunciar sobre o Programa Mais Médicos, já tinha mencionado algumas semanas atrás que se perguntava se deveria ou não ter embaixada em Cuba”, ponderou.

“É nessa área onde ele vai se concentrar, como Trump costuma fazer, otipo de conflito e tensão que mantém a adesão dos mais convencidos. Não duvido que se chegue à ruptura”, disse Recupero. (Assessoria FAP/ Cleomar Almeida)

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