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Queda nas receitas e aumento das despesas provoca rombo de R$ 16,2 bi

Contas públicas têm rombo de R$ 16,2 bilhões

Desempenho no mês passado foi o 3° pior para novembro desde o início da série histórica, em 1997. No ano, déficit soma R$ 88,5 bi

MANOEL VENTURA – O Globo

BRASÍLIA- Uma combinação de queda nas receitas e aumento nas despesas resultou em um rombo de R$ 16,2 bilhões nas contas do governo em novembro. Segundo o Tesouro Nacional, foi o terceiro pior resultado para o mês desde o começo da série histórica, iniciada em 1997. No mesmo período do ano passado, o saldo foi positivo em R$ 1,3 bilhão. No ano, as contas do governo federal estão no vermelho em R$ 88,5 bilhões.

Apesar de elevado, o rombo acumulado está bem abaixo do que a equipe econômica projetava para 2018. O resultado previsto para o ano fechado é de déficit de R$ 159 bilhões. Os técnicos estimam, contudo, que o déficit primário ficará entre R$ 129 bilhões e R$ 139 bilhões, ou seja, poderá ser até R$ 30 bilhões menor.

Isso ocorrerá, em parte, porque o governo conseguiu reduzir gastos. A despesa prevista com os subsídios ao óleo diesel, por exemplo, fi-cará abaixo dos R$ 9,5 bilhões estimados originalmente. Outro fator que impacta o resultado é o fato de que os ministérios não conseguirão gastar todo o montante que foi autorizado pelo Tesouro. Esse “empoçamento” chega a R$ 12,2 bilhões.

As receitas do governo fecharam novembro com queda de 10,4% na comparação com 2017. Esse resultado é explicado, principalmente, por um leilão de usinas hidrelétricas realizado no ano passado, que elevou a base de comparação da arrecadação. Além disso, houve aumento das transferências de receitas da União para estados e municípios. Já as despesas federais subiram 5,4% em novembro. O número foi puxado por um gasto maior do governo com custeio da máquina pública.

Segundo o Tesouro, o rombo da Previdência foi de R$ 17,968 bilhões em novembro. Já no acumulado de 2018, o valor acumulado chega a R$ 186,304 bilhões, o que representa crescimento de 7,8% sobre o ano passado. Otávio Ladeira, secretário-adjunto do Tesouro, destacou que, se o resultado da Previdência não tivesse piorado nos últimos anos, o governo federal já estaria com as contas no azul:

— Sem reforma da Previdência, não há ajuste fiscal, por conta de toda a piora.

Ladeira lembrou ainda que as despesas obrigatórias (compostas especialmente por folha e Previdência) consumiram nada menos que 98% das receitas do governo no período de 12 meses fechados em novembro.

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