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Palocci diz que Lula deu benefício para montadora em troca de propina a filho

Reprodução

Ex-ministro petista diz que lobista repassou de R$ 2 mi a R$ 3 mi para Luís Cláudio

Em depoimento à Justiça Federal por videoconferência no âmbito da Operação Zelotes, nesta quinta-feira (06), o ex-ministro da Fazenda do governo do PT, Antônio Palocci, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou pela edição de uma Medida Provisória que prorrogou benefícios fiscais de montadoras em troca do repasse de dinheiro das empresas para o filho Luís Cláudio Lula da Silva.

Segundo as investigações da Operação Zelotes, a MP 471, editada em 2009 por Lula, prorrogou benefícios fiscais a montadoras nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que tiveram acesso ao texto da MP antes mesmo de ser aprovada.

Palocci, que fechou acordo de colaboração premiada com a PF (Polícia Federal), disse ter ouvido uma confissão do próprio ex-presidente, em um encontro ocorrido em 2014 na sede do Instituto Lula, em São Paulo.

Segundo o ex-ministro, a conversa entre ele e Lula aconteceu após um pedido de apoio financeiro feito por Luís Cláudio para um projeto esportivo dele, entre o final de 2013 e o início de 2014. O diálogo não teria sido acompanhado por ninguém além dos dois.

Apesar de a ação tratar somente da edição da MP 471, Palocci também falou no depoimento ao juiz Ricardo Augusto Soares Leite sobre uma segunda medida provisória, que renovou os benefícios para as montadoras, a Medida Provisória 627, editada no governo Dilma Rousseff, em 2013.

Palocci disse que, neste caso, também houve pagamento de propina pelo lobista Mauro Marcondes e que, a pedido de Lula, que na época não era mais presidente, o empresário repassou de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões para Luís Claudio. O ex-ministro disse, durante a reunião, que o próprio ex-presidente interferiu no caso.

“O ex-presidente Lula me relatou exatamente dessa forma. Ele tinha tratado com a ex-presidente Dilma e com o ex-chefe da Casa Civil este assunto da MP 627, que era a renovação dos benefícios da 471. Eu perguntei: por que que o senhor entrou nesse assunto? Não é inadequado para o senhor mexer com esse assunto? Ele falou: ‘Olha, como se tratava de uma coisa do meu filho, eu não queria envolver ninguém, eu utilizei o Marcos Marcondes, que ele já fez isso no processo anterior’. Qual era o processo anterior: a 471”, disse Palocci.

O ex-ministro do governo do PT também disse que sabe de várias situações em que medidas provisórias foram editadas envolvendo pagamento de propina a integrantes do governo e do Congresso Nacional. Palocci confirmou que tratou deste assunto em delação premiada fechada com a PF.

Medidas Provisórias

A MP 471, editada em 2009, concedeu benefícios fiscais às montadoras Caoa e MMC, ligadas à Mitsubishi. Os benefícios constantes vieram a ser renovados em 2013, por meio de uma alteração na MP 627.

Segundo Palocci, foi a MP 627 que teria tido a atuação do ex-presidente Lula para beneficiar o filho. Ambas as MPs são investigadas pelo MPF (Ministério Público Federal), que aponta a aprovação delas como parte de um esquema de compras de medidas provisórias no Congresso.

Palocci foi indagado no depoimento se Lula havia comentado sobre a relação com Marcondes.

“[Lula] Chegou a comentar. Disse que tinha confiança no Mauro, que o conhecia desde a época em que ele era sindicalista e o senhor Mauro já era atuante no setor empresarial automobilístico no ABC”, disse. (Com informações das agências de notícias)

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