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Novo governo pode ‘fatiar’ a reforma da Previdência, diz Bolsonaro

Bolsonaro: Reforma da Previdência pode ser fatiada e começar por idade

Carla Araújo e Fabio Murakawa – Valor Econômico

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira que a reforma da Previdência pode ser fatiada e que continua sendo uma das prioridades de seu governo. Segundo ele, é preciso buscar um texto que seja factível de ser aprovado.

“Nós queremos sim apresentar uma proposta de emenda à Constituição, a começar pela Previdência Pública e com chances de ser aprovado. Não adianta você ter uma proposta ideal que vai ficar na Câmara ou no Senado. Aí acho que o prejuízo seria muito grande”, disse, ao deixar o CCBB, onde ocorrem as reuniões de transição governamental.

Segundo Bolsonaro, a ideia é começar “pela idade mínima e atacando privilégios”. “[A reforma] pode ser fatiada, e está bastante forte a tendência de começar pela idade”, disse Bolsonaro, ressaltando que assim “é menos difícil” que ela seja aprovada. “A minha proposta é aumentar [a idade mínima] em dois anos para todo mundo”, disse.

Questionado sobre qual seria a base para o aumento de dois anos, Bolsonaro disse, sem detalhar, que vai “fazer aquilo que couber em nosso próximo mandato”. “A ideia é pegar essa parte da proposta do (presidente Michel) Temer e colocar nos quatro anos de mandato nosso.”

Bolsonaro disse ainda que nas conversas que teve com as bancadas do MDB e do PRB sentiu que há aceitação para que a reforma seja aprovada. “Ali falaram em grande parte sim. Até vamos inovar e antes de mandarmos qualquer projeto para a Câmara, vamos ouvir no Planalto as lideranças, vamos debater, debater com o quadro técnico deles para quando a proposta for para a Câmara já estar bastante debatida”, disse.

Bolsonaro afirmou ainda que o déficit da Previdência é uma realidade que cresce ano após anos e que não pode deixar a situação brasileira como aconteceu na Grécia para tomar uma providência.

Funai

Bolsonaro disse que ainda não está definido qual ministério ficará responsável pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas que possivelmente ficará sob os cuidados da “Ação Social”, referindo-se ao ministério da Cidadania, que será comandado pelo deputado Osmar Terra.

“A Funai vai para algum lugar, acho que Agricultura que não. Pode ir lá para Ação Social”, disse, explicando depois que referia-se a pasta da Cidadania, que já vai contemplar os atuais ministérios do Desenvolvimento Social, Cultura e Esporte.

Questionado sobre quando anunciará os nomes que faltam para fechar o primeiro escalão do governo – Direitos Humanos e Meio Ambiente – Bolsonaro disse não saber “quando vai nascer essa criança”.

Bancadas

Bolsonaro disse que ofereceu “muito amor” às bancadas partidárias do MDB e do PRB, com quem se reuniu nesta terça-feira. Ele respondeu assim à brincadeira de um repórter, que lhe perguntou em entrevista coletiva se havia oferecido “carinho” e “atenção” durante os encontros.

“Muito amor”, respondeu, rindo. “Olha só, desculpa a brincadeira, conheço você há algum tempo. Nós aceitamos aqui indicações da bancada da agricultura, da bancada também da saúde, isso aí é interesse de grande parte dos parlamentares, ali tem parlamentar de tudo quanto é partido. Nós temos falado aqui, nessas duas reuniões, que os ministérios estão abertos aos parlamentares, nenhum pedido deles desde que não seja ilegal e impossível de ser atendido deixará de ser atendido.”

Hoje, pela primeira vez, o futuro governante encontrou formalmente representantes de bancadas partidárias. Até então, ele vinha conversando com bancadas temáticas em detrimento dos partidos. Bolsonaro negou estar buscando um apoio incondicional das legendas.

“Não existe alinhamento automático de partido, não é isso que nós buscamos. Nós buscamos é o entendimento”, afirmou. “É o que eu tenho falado para eles. Posso não saber a fórmula do sucesso, mas do fracasso é essa que foi usada até o momento, é distribuir ministérios, bancos para partidos políticos, isso não deu certo.”

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