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Valor destaca declaração de Carmen Zanotto sobre apoio a Mandetta

Mandetta no ministério não garante apoio da bancada da saúde a Bolsonaro

Valor Econômico – Raphael Di Cunto

Deputados da bancada da saúde, que costuma atuar na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, afirmaram ao Valor que a escolha do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para o Ministério da Saúde no futuro governo não garante apoio do grupo ao presidente eleito, que anunciou a escolha como uma indicação da frente parlamentar.

Segundo um dos líderes da bancada, o presidente eleito Jair Bolsonaro organizou o ato com entidades da saúde e deputados do setor anteontem, mas não avisou que anunciaria ali a escolha de Mandetta. “Obviamente, ninguém ia se indispor com o novo ministro dizendo que não era indicação da bancada, mas havia uma divisão no grupo”, diz um dos parlamentares.

Mandetta era o favorito de Bolsonaro desde antes da eleição, mas o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Lincoln Ferreira, tentou se cacifar para a vaga. Dias antes do anúncio, um grupo de entidades divulgou uma carta afirmando estar “preocupado com os boatos” sobre a escolha de Mandetta e indicando Ferreira para o cargo. Alguns dos deputados da bancada, ligados aos conselhos regionais de medicina, apoiavam essa indicação. A Frente Parlamentar da Saúde (FPS), a mais tradicional, fez uma reunião e apoiou Mandetta, que é 2º vice-presidente do grupo.

A escolha do deputado do DEM, embora muito bem relacionado com todos os parlamentares do setor, não atrela o apoio de ninguém às demais pautas do governo, afirmam os deputados. A Frente Parlamentar da Saúde costuma atuar exclusivamente em pautas ligadas ao setor. O grupo tradicionalmente não faz o tipo de negociação que outras frentes temáticas usam, de trocar o apoio a projetos de interesse do governo ao aval do Executivo para suas próprias pautas. Há, ainda, divisão em temas como planos de saúde e fortalecimento do SUS.

“É óbvio que, ao indicar um ministro, a gente genericamente faz um apoio ao governo, mas é mais um apoio ao Mandetta”, afirma o presidente da FPS, deputado Osmar Terra (MDB-RS). “São 230 deputados que participam da frente, mas atuantes são uns 40/50. É um grupo muito amplo, do PCdoB ao DEM, só conseguimos unir quando é uma pauta do setor”, diz.

Terra está entre os que pretendem apoiar o governo, por se identificar com pautas como a política de drogas e endurecimento de penas.

A decisão de Bolsonaro de não negociar com os partidos políticos, dizem parlamentares, continua um problema. “Essa indicação não atrela o apoio, eu sou Progressistas [PP]”, alerta o deputado Hiran Gonçalves (RR), cotado para coordenar a frente parlamentar da medicina no lugar de Mandetta, o atual presidente.

“Cada deputado tem suas posições partidárias. Não se discutiu, em momento nenhum, posição sobre o governo”, afirma a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), que foi a porta-voz da bancada no anúncio de Mandetta. O PPS se declara independente.

O número de deputados que declara a medicina como profissão ou formação, grupo que atua na linha de frente da bancada da saúde, diminuirá na próxima legislatura: são 44 agora e serão 36 a partir de fevereiro, quando os novos tomam posse.

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