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Mantida pelo PPS, FAP é a primeira fundação privada a fechar parceira com Apae-DF para programa de inclusão social

Reprodução/Sérgio Alberto

Pessoas com deficiência no Distrito Federal encontram oportunidade de trabalho na FAP

Às 6h25, a higienizadora de livros Rafaela de Faria Pugas, de 24 anos, levanta e se arruma para pegar o ônibus, uma hora depois, perto da casa na qual vive com os pais, em Planaltina, no Entorno do Distrito Federal (DF). No percurso de 60 quilômetros até Brasília, onde trabalha, ela segue pensando num futuro com possibilidades de mais perspectivas e menos exclusão. Sonha cursar gastronomia ou letras.

Rafaela faz tratamento para autismo e, desde o dia 20 de agosto, trabalha no acervo de livros da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), instituição mantida pelo PPS (Partido Popular Socialista). É a primeira fundação privada a realizar parceria com a Apae-DF (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal) para o programa de inclusão social que coloca em prática o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

“Estou gostando muito do trabalho, do local e das pessoas. Eu me sinto preparada para trabalhar”, diz Rafaela, que concluiu o ensino médio. “Estava com dificuldade de encontrar emprego”, conta ela. A parceria com a FAP também celebra os 10 anos do início de contratações por meio do programa de inclusão da Apae-DF junto a instituições em Brasília.

Na fundação, Rafaela encontra o seu colega de trabalho, Domilson da Silva Xavier, de 20 anos, outro beneficiado pela parceria. Ele mora em Itapoã, no Entorno do DF, e tem deficiência intelectual. Juntos, durante a jornada de trabalho de 20 horas semanais, eles também têm direito a intervalo e fazem ginástica laboral.

Durante a manhã, de segunda a sexta-feira, os dois são responsáveis pela higienização de cada folha dos livros da FAP, que regula o vínculo com eles por meio de um contrato de trabalho. Depois da limpeza, as obras ficam disponíveis ao público para consulta e empréstimo na Biblioteca Salomão Malina, localizada no Conic, perto da Rodoviária do Plano Piloto. A biblioteca tem 6,5 mil livros (veja aqui).

Competência

Segundo o gerente administrativo da FAP, Gustavo Loiola da Silva, Rafaela e Domilson recebem da fundação todo o suporte necessário para o desempenho da função. Além da competência e das habilidades profissionais, a instituição valorizou, como critério de seleção, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

A demanda da FAP começou a ser planejada em agosto de 2017, quando a coordenadora da Biblioteca Salomão Malina, Thalyta Jubé, passou a analisar o acervo de livros. Com isso, foram identificadas a necessidade de higienização e a de reparação em 500 obras.

A bibliotecária Joana Darc Pereira de Jesus atua como instrutora dos higienizadores de livro e atesta a importância do programa para a socialização deles. “Eles trabalham em um lugar normal, assim como todos os funcionários da fundação, e sem qualquer tipo de discriminação no ambiente. Com isso, abre-se a possibilidade para desenvolverem ainda mais as habilidades que têm”, ressalta.

Antes de serem encaminhados para esse trabalho, Rafaela, Domilson e Joana Darc passaram por treinamento no Programa de Conservação de Bens Culturais da Apae. A proposta é promover a qualificação profissional de pessoas com deficiência intelectual diretamente na área de higienização, conservação e pequenos reparos de livros e documentos impressos.

Responsável técnica do programa pela Apae, Mônica Kanegae explica que a higienização é fundamental para manter as obras em bom estado de conservação. Ela diz que os livros, normalmente, acumulam sujeira e poeira por ficarem expostos em prateleiras.

A limpeza das obras pode ser feita com borracha, trincha ou lixa. “Dependendo da acidez do livro, é muito delicado. Tem que tomar cuidado para não quebrar”, explica. Ela ressaltou que, a partir dos anos 1960 e 1970, houve uma melhora na qualidade do papel com a retirada adequada da lignina extraída da madeira para a produção dele.

Símbolos de comemoração

Rafaela e Domilson simbolizam a comemoração dos 10 anos de início de contratação de pessoas com deficiência por meio de parcerias realizadas pela Apae-DF. Desde 2008, 62 pessoas com deficiência começaram a trabalhar em órgão públicos, em Brasília, apoiados por 11 instrutores, que são formados por meio de um convênio firmado entre a associação e a Fundação Universidade de Brasília. O convênio começou a vigorar em 2006.

Além da FAP, nove órgãos públicos valorizam o trabalho dessas pessoas na capital do país. O primeiro deles foi a Câmara dos Deputados. Depois, o programa também foi adotado pelo Senado Federal, STF (Supremo Tribunal Federal), Ministério das Relações Exteriores e Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

Em seguida, o programa se expandiu por meio de parcerias com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), STJ (Superior Tribunal de Justiça), Ministério da Justiça e a AGU (Advocacia-Geral da União).

Rafaela e Domilson torcem para que o programa se estenda ainda mais para outras instituições públicas e privadas. Eles concordam que o Estatuto da Pessoa com Deficiência deve ser respeitado e colocado em prática, em vez de ficar apenas no papel. “Estou muito feliz e espero crescer muito ainda com o trabalho”, afirmou o jovem. (Assessoria FAP/Cleomar Rosa)

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