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Tereza Vitale condena casos de feminicídio e lamenta que agressões contra a mulher sempre foram altas no País

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O Brasil tem assistido nos últimos dias diversos casos de assassinatos brutais contra mulheres cometidos por cônjuges ou  ex-companheiros. Apesar de a mídia trazer ao público o problema que assola toda a sociedade brasileira com mais enfase, a verdade é que o feminicídio ocorre diariamente em todo o território nacional e atinge todas as classes sociais. Para muitos especialistas, a principal causa da violência contra as mulheres está relacionada ao machismo e a intolerância.

Segundo estudo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em 2017 os tribunais estaduais movimentaram 13.825 casos de feminicídio. Desses, 3.039 não cabiam mais recursos e 10.789 processos ainda se encontravam pendentes. O número de sentenças foi de 4.829. Além disso, o ano passado registrou um aumento de 21,9% de casos quando comparado com 2016.

Ao comentar a situação, a coordenadora do PPS Mulher, Tereza Vitale, classificou a questão como “um horror” e lembrou que casos de violência contra a mulher sempre foram altos no País. Para ela, a diferença é que agora as mulheres estão tendo “mais coragem” para denunciar as agressões. Ela defendeu atitudes “mais contundentes” da gestão pública e da sociedade e citou, como exemplo, o funcionamento 24 horas de delegacias da mulher.

"Problema sempre existiu"
“Problema sempre existiu”

“Evidentemente que é um horror. Esses casos sempre existiram, mas agora as mulheres estão denunciando e se queixando muito mais. Com a internet isso fica mais evidenciado. De qualquer maneira é preciso atitude governamental e não governamental. A Lei Maria da Penha tem que funcionar 24 horas em cima de quem comete agressões contra a mulher. As delegacias da mulher precisam funcionar 24 horas. A mulher não tem hora para ser agredida e não apanha apenas em horário comercial”, criticou.

Machismo x empoderamento

Vitale destacou que o principal problema do feminicídio está ligado ao machismo que, segundo ela, está “arraigado” na sociedade e, principalmente, no homem brasileiro.  Mas o empoderamento da mulher nas últimas décadas tem intimidado a parcela masculina da população, avalia a ativista.

“O machismo é cultural no Brasil. Os brasileiros [homens] são machistas e possuem uma cultura machista. Como as mulheres estão denunciando mais e os casos aparecendo mais, os homens ficam acuados com o empoderamento das mulheres. Muitos não toleram esse empoderamento e o homem acaba ficando mais violento. A mulher começa a enfrentar o homem e, neste enfrentamento, ela sai perdendo, porque ele acaba indo com a força bruta”, disse.

Solução

Tereza Vitale afirmou que a única solução para reverter o elevado número de agressões e mortes contra as mulheres é a realização de campanhas de forma intermitente para toda a sociedade. Para ela, políticas paliativas, como o estabelecimento de vagões de trens e metros apenas para as mulheres, não resolvem o problema.

“A solução é por meio de campanhas direcionadas aos adultos, machistas e crianças. Campanhas no ônibus, no metrô, na televisão e em todo os meios possíveis para a conscientização de forma intermitente. Não basta fazer apenas na semana que se comemora a [Lei] Maria da Penha. Se não colocar no íntimo das pessoas o absurdo da violência, não iremos mudar essa triste realidade. O Brasil pode sim superar esse grave problema. Não adianta colocarmos apenas vagão especial para as mulheres no metrô. É ridículo, não temos que separar. A sociedade precisa aprender a conviver pacificamente. Não é afastando o homem da mulher”, defendeu.

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