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Soninha Francine: Há quem acredite que Lula é um homem inocente

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Há quem acredite que Lula é um homem inocente de todas as acusações.

Como não há muito espaço para debate, não cheguei a discutir com nenhuma das pessoas que defendem esse ponto de vista se elas:

– Não acreditam que tenha havido crimes graves (roubo e abuso de poder, em suma) nos governos do PT (2003-2016) e nas eleições de Lula e Dilma;

– Acreditam que houve crimes sim, mas Lula não tem nada a ver com eles.

Só me interessa, agora, discutir esses dois pontos. (E não: se houve ou não abusos na Lava Jato; se ele deveria ou não estar preso; se ele poderia ou não ser candidato; se o triplex era para ele ou não era para ele; se o Aécio é culpado ou não; se Temer é culpado ou não; se foi golpe ou não foi golpe e outros relacionados).

Caso não acreditem que tenha havido crimes:

– Por que empreiteiros, banqueiros, parlamentares, governadores, ministros, doleiros, lobistas, diretores de estatais, tesoureiros e marqueteiros da campanha estão ou estiveram presos?

Todas as acusações foram inventadas?

Nenhuma prova existiu?

Não foi devolvido/recuperado dinheiro?

A Petrobrás não foi usada para troca de favores ilegais e desvio de recursos?

As empreiteiras não foram favorecidas em processos ilícitos (superfaturamento, concorrência fajuta, pagamentos por serviços não realizados etc)?

Candidatos do PT não receberam, por dentro e por fora, dinheiro de empresas beneficiadas em esquemas?

Caso concordem que houve crimes:

– Lula não tinha nada a ver com crimes vultosos cometidos na cúpula da Petrobras?

– Lula não tinha nada a ver com as fraudes em obras do PAC, das Olimpíadas, da Copa do Mundo, do Pré-Sal, de Belo Monte, Jirau e Santo Antonio, do Minha Casa Minha Vida, dos Fundos de Pensão, da Bancoop etc? Do Cabral, do Geddel?

Se fosse possível discutir seriamente, educadamente, eu gostaria muito de ouvir respostas, compreender o pensamento, argumentar cada ponto. Acho que só daria certo por correspondência à moda antiga – carta pra lá, carta pra cá. Escrita à mão, com o limite que o braço impõe em velocidade e extensão.

Essas pessoas olham para mim e não acreditam que eu não vejo um gigantesco complô das elites, das forças do Capital, da direita reacionária.

Eu olho para elas e não me conformo que não vejam que as forças do Capital se refastelaram nesses 13 anos de governo do PT, com a decisiva participação do governo e do partido.

É louco, talvez uma obra de ficção – um diálogo entre entidades míticas, um julgamento do fim dos tempos, uma peça de teatro época – consiga absorver argumentos dos dois lados de um modo desafiador, que provoque no futuro a reflexão de quem não viveu e não quer partir de cara de um dos dois pressupostos (maior roubalheira da história x maior perseguição injusta de todos os tempos).

Eu adoro as cenas de julgamento bem escritas, de grandes obras literárias ou de seriados modernos – Law & Order, The Good Wife. Você ouve as conclusões da acusação e pensa “caceta, f*deu com a defesa”. Aí vem a defesa e faz uma fala arrasadora, e você pensa “UAU, por isso um bom advogado vale tanto!!!!!!!!!!!!!” (ou, na minha mente de cineasta incubada, “pqp, que roteirista espetacular!!”).

Às vezes estou do lado da acusação e, às vezes, da defesa, sem qualquer hesitação, e me coloco no lugar do júri e penso: “SERÁ que no lugar deles eu teria dúvida??”. Há episódios em que o júri decide “errado” (nós, espectadores, temos as provas que eles não têm) e eu consigo entendê-los.

O que acho mais, muito mais difícil entender:

Como alguém pode achar que Lula e Dilma acabaram com a miséria, com a fome, transformaram o Brasil em outro tipo de país, muito mais justo, menos desigual, mais inclusivo. Meu Deus! É o Brasil “de sempre”, sem esgoto tratado, sem estradas minimamente decentes (São Paulo é um éden), sem ferrovias, sem moradia digna para milhões e milhões de pessoas, sem refeições diárias balanceadas para milhões e milhões e milhões de pessoas, sem saúde básica, sem educação básica, sem segurança urbana, sem presídios decentes, sem meio ambiente equilibrado, sem mobilidade urbana justa, sem equidade de raça e gênero.

Como podem acreditar que o Brasil foi mesmo tudo aquilo que a propaganda disse que foi? O Brasil real tá aí, no mundo de verdade! Não é a tese de alguém, é onde vivemos, é só viver, olhar, ouvir, cheirar, tocar, conhecer! (31/07/2018)

Soninha Francine é vereadora do PPS na Câmara Municipal de São Paulo

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