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Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (21/07/2018)

MANCHETES

O Globo

Criação de emprego formal trava em junho
Ciro se lança com ênfase à esquerda
Contas do setor público têm melhora

O Estado de S. Paulo

Taxa sindical cria atrito entre Alckmin e aliado do Centrão
Confirmado candidato, Ciro ataca ‘baronato’ em convenção
Número de presos deve dobrar até 2025

Folha de S. Paulo

Ciro acena à esquerda ao se lançar candidato ao Planalto
Resultado negativo em junho frustra retomada do emprego
Estados podem ser entrave à aliança entre PSDB e centrão

EDITORIAIS

O Globo
 
A espúria negociação de uma aliança

Se o anunciado acordo entre o dito centrão e Geraldo Alckmin for confirmado no decorrer da semana, a candidatura do tucano ganhará forte impulso medido em tempo de propaganda eleitoral. Liderará o ranking de exposição na TV, com no mínimo 4 minutos e 46 segundos, 38% do total do horário político. Isso porque Alckmin contará com as cotas, além do PSDB, do DEM, do PP, do PR, do PRB e do SD. Terá feito o maior lance de um candidato antes do período de convenções, que começou ontem. Reforça-se a imagem de Alckmin como eficiente político à antiga, da conversa ao pé do ouvido, expertise desenvolvida no interior de São Paulo, onde se lançou no ramo em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, até governar o estado por quatro vezes: ao finalizar o mandato de Mário Covas, de quem era vice, e mais três gestões.

Como o momento é de baixo nível ético na política brasileira, as legendas que compõem o centrão usam conhecidas moedas de troca nessas negociações: cargos e acesso ao dinheiro público. O PP tem extensa experiência neste balcão de negócios, bem como o PR, virtual “dono” do Ministério dos Transportes, desde o primeiro governo Lula, a partir de 2003. Enquanto Paulinho da Força, do Solidariedade (SD), até já teria conseguido algum compromisso de Alckmin de, no Planalto, encontrar nova fonte de financiamento sindical, para substituir o imposto revogado pela reforma trabalhista. Pode-se entender que a origem do dinheiro, como sempre nessas circunstâncias, será o Tesouro, sustentado pelo contribuinte.

É natural que se argumente que este é o padrão da política brasileira, e que não há outra maneira de se chegar ao poder. Argumento forte, mas o último que aceitou sujar as mãos nessas barganhas está preso em Curitiba, enquanto seu partido, o PT, se esforça para viabilizar sua impossível candidatura. Se Alckmin seguir a trilha dessas barganhas, será necessário que o eleitor saiba o que foi negociado. Tanto quanto isso, suas propostas de governo precisarão ser claras, e terá de recusar ideias de aliados que não façam sentido no seu programa.

E sem transigir na ética. O estilo de fazer política ajuda Alckmin nesta costura, mas devem ter contribuído, também, na decisão do centrão de se afastar de Ciro Gomes e optar pelo ex-governador paulista, as posições do candidato do PDT contra a associação Embraer/ Boeing, leilões do pré-sal e a reforma trabalhista. Além de clássicas demonstrações de destempero do ex-ministro e ex-governador do Ceará. A princípio, o cobiçado espaço do centro passa a ter um forte aspirante a ocupá-lo. Mas tudo depende do comportamento de Alckmin, que nem de longe pode ser o da campanha que disputou (2006, contra Lula), em que ficou receoso de ir contra a demagogia. Ao contrário, aderiu.

Legislação urbana não pode servir à milícia

Nas últimas décadas, os bairros no entorno da Barra e do Recreio experimentaram crescimento bem superior à média da cidade e ao próprio núcleo da região, que, por muitos anos, foi considerada o motor do Rio. Mas nem tudo é espontâneo nesse inchaço. Como revelou reportagem do GLOBO publicada na última segunda-feira, parte do boom está ligada à ação de milicianos, que estimulam construções irregulares para lucrar com aluguéis e cobranças de taxas de serviços como fornecimento de gás, sinal de TV e internet, transporte etc. Isso, por si só, já seria motivo de preocupação. Mas os capítulos desse roteiro revelam-se ainda mais sórdidos. Para dar um ar de legalidade a algo que já nasceu sob a ilegalidade, aprovam-se leis que afrontam a legislação federal, com o intuito de conceder a grileiros o direito às terras.

Uma dessas aberrações é a Lei Complementar 188, proposta pelo vereador Chiquinho Brazão (Avante). Ela permite a regularização de parcelamento do solo e a imediata legalização, afrouxando o Código de Obras. O próprio Brazão já tinha conseguido aprovar a Lei 160, que contempla as regiões de Vargem Grande, Vargem Pequena e Itanhangá. Este ano, a iniciativa foi estendida a quase toda a cidade, com exceção de Centro e Zona Sul. O projeto foi vetado pelo prefeito Marcelo Crivella, mas a Câmara derrubou o veto. Para técnicos da Secretaria municipal de Urbanismo, a Lei 188 é inconstitucional, por ferir a Lei Federal 13.465/2017, que trata da regularização fundiária rural e urbana.

Também para o especialista Manoel Peixinho, professor de Direito Administrativo e Constitucional da PUC-RJ, a lei tem desvio de finalidade, uma vez que generaliza regras sem estudo de impacto econômico na ocupação do solo. Mas não se sabe até que ponto o atual governo terá interesse em questionar na Justiça essa lei enviesada. O certo é que legislações como essa contribuem para o crescimento desordenado na região. Levantamento do Instituto Pereira Passos (IPP), feito no ano passado, mostra que, de 2004 a 2017, as comunidades de Vargem Grande, Vargem Pequena e Guaratiba cresceram 191.152 metros quadrados, ou 7,86%. Somente as Vargens expandiram 28,8% — a média da cidade foi 1,03%.

Outro caminho para legalizar lotes irregulares são os projetos para as Áreas de Especial Interesse Social (AEIS), que permitem à prefeitura dar tratamento diferenciado a regiões ocupadas por favela, loteamento irregular ou conjunto habitacional. Sabe-se que a milícia é tão letal quanto o tráfico. Não por acaso, milicianos e traficantes começam a se associar, criando conglomerados do crime. É fato ainda que os “negócios imobiliários”, especialmente na Zona Oeste, são importante fonte de renda para as quadrilhas. Portanto, prefeitura e Câmara precisam ter mais responsabilidade com o destino da cidade. A legislação não pode servir ao crescimento desenfreado, à desordem e ao crime. Quem perde é o Rio. É um erro achar que a população está sendo beneficiada. Os únicos favorecidos são os milicianos e o submundo.

O Estado de S. Paulo

A confiança do empresariado continua baixa

A greve dos caminhoneiros está tendo um efeito prolongado sobre o ânimo do empresariado. Ouvidos há pouco por pesquisadores das entidades que os representam nacionalmente, empresários da indústria e do comércio deram indicações de que ainda não veem solução para problemas gerados pela paralisação dos transportes de cargas na segunda quinzena de maio e, por isso, estão pouco confiantes. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) de julho divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou recuperação em relação ao mês anterior, mas insuficiente para compensar perdas anteriores. Em junho, o índice havia caído 5,9 pontos, pois muitas indústrias tiveram de interromper suas atividades por falta de componentes e insumos em razão da greve dos caminhoneiros.

O índice subiu 0,6 ponto em julho, mas ficou em 50,2 pontos, nível pouco superior à linha divisória (50) que divide a confiança da falta de confiança e quase 4 pontos abaixo da média histórica de 54,1 pontos. O Icei mais baixo de julho foi registrado na Região Sudeste, a mais industrializada do País e, por isso, a mais afetada pela greve. Mesmo passado mais de um mês desde o fim da paralisação dos caminhoneiros, o empresário industrial continua inseguro. Consequências tardias da greve – especialmente o tabelamento do frete rodoviário, cujos efeitos sobre os custos de produção e sobre os índices de preços ainda são desconhecidos – geram incertezas no setor industrial. Já a Pesquisa Nacional CNC, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou que o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 4,3% em julho, a maior redução desde agosto de 2015.

O Icec ficou em 103,9 pontos, ainda no campo positivo, mas no menor nível desde agosto de 2017. A decepção com as condições atuais da economia e o pessimismo quanto ao crescimento no futuro próximo foram determinantes para a perda de confiança. O componente do Icec que mede as expectativas dos empresários do comércio registrou em julho a primeira queda na comparação anual desde maio de 2016, no auge da crise política que levou ao impeachment de Dilma Rousseff. Para sete em cada dez empresários do comércio ouvidos na pesquisa, a economia piorou.

Folha de S. Paulo

O peso do centrão

Apoio esperado de partidos fisiológicos dará alento à candidatura de Alckmin; bloco anacrônico ainda consegue manter influência na política nacional

Poucas vezes se viu uma sucessão presidencial tão cercada de indefinições como as que têm caracterizado o atual momento. A desagregação partidária e o desgaste de lideranças imprimem, sem dúvida, elevado grau de incerteza à campanha que se aproxima.

Ao menos num ponto, todavia, os entendimentos com vistas ao pleito de outubro parecem acomodar-se num leito já conhecido.

Depois de uma fase de oscilações e desencontros, o chamado centrão prepara-se para anunciar seu apoio ao pré-candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin.

Os comandos de DEM, PP, PR, Solidariedade e PRB abandonam, assim, as perspectivas de um acordo com Ciro Gomes (PDT) ou com Jair Bolsonaro (PSL), em favor de um nome que, embora menos favorecido pelas atuais pesquisas de opinião, há de ser-lhes mais confiável.

Não foi diverso, para começar, o esquema que deu sustentação ao governo Fernando Henrique Cardoso, nos anos 1990.

Se o paralelo parece distante no tempo, é inegável que, do ponto de vista programático, persistem as afinidades entre um partido de perfil mais liberal e reformista, como o PSDB, e a colcha de retalhos fisiológica e conservadora que se costura à sua volta.

A aliança em formação tende a fazer mais sentido, com efeito, do que a conjunção resultante de um apoio a Ciro Gomes, cuja confusa mensagem eleitoral envereda pelo campo da esquerda, ou com o direitismo simplório de Bolsonaro.

Não que amálgamas desse tipo sejam impossíveis. Com exceção do DEM, as siglas do centrão deram longo respaldo a governos petistas, cabendo ao pragmatismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viabilizar suas demandas enquanto mantinha acesas as esperanças e ilusões da militância.

Tal arranjo desaguou, como se sabe, em escândalos detectados em escala inédita nos episódios do mensalão e da Lava Jato — e, mais à frente, em rompimento com a gestão econômica e politicamente inepta de Dilma Rousseff.

Se confirmado, o acordo constituirá a melhor notícia para PSDB e Geraldo Alckmin desde o início da corrida presidencial. Seu tempo de propaganda na TV crescerá de modo expressivo — os números exatos dependem da quantidade de postulantes— e sua campanha ganhará maior enraizamento nos cenários regionais.

O preço desse acordo, em termos eleitorais, já está de certa forma contabilizado. O ex-governador paulista não poderá se apresentar como um renovador dos costumes políticos ou um paladino da ruptura institucional —imagem que nunca foi sua.

Seu desafio, nesse sentido, é o que acompanha toda a política brasileira: desvencilhar-se do lastro de atraso de um grupo de legendas cujo apoio nenhum governo, afinal, tem conseguido dispensar.

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