PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

PORTAL NACIONAL

Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (19/07/2018)

MANCHETES

O Globo

Busca de proteção das empresas contra alta do dólar quase triplica
Bolsonaro é rejeitado por partido de general
Executiva do PTB fecha aliança com Alckmin

O Estado de S. Paulo

Partidos rejeitam Bolsonaro às vésperas da convenção
Alckmin fecha com o PTB

Folha de S. Paulo

Indústria não teme Bolsonaro, afirma CNI
Problema do pré-candidato do PSL é civilizatório, diz Lafer Piva
TSE nega pedido para tornar petista inelegível desde já

EDITORIAIS

O Globo

Debate econômico na campanha precisa ter foco

País com problemas econômicos crônicos, o Brasil tem uma agenda permanente de discussão sobre como curar as mazelas neste campo, assunto que, não poderia deixar de ser, tem espaço cativo nas campanhas eleitorais. Para esta eleição, a lista de dificuldades está concentrada no desequilíbrio estrutural das contas públicas na Federação, polo irradiador de várias distorções. Governo federal, estados e municípios, em diversas gradações, têm os respectivos orçamentos sendo estrangulados por benefícios previdenciários e folha de servidores, de que resultam a redução forçada de investimentos e barreiras aos gastos estratégicos em saúde, educação e segurança. Pré-candidatos esboçam ideias, enquanto negociam alianças preocupados com o tempo na programação eleitoral dita gratuita, definido em função do tamanho da bancada dos partidos no Congresso.

Neste sentido, a defesa feita por Ciro Gomes (PDT) de rever a associação entre Embraer e Boeing tem o claro objetivo de atender os nacionalistas de sempre, em especial os que se abrigam no PSB, partido que o candidato tenta atrair. Chama a atenção que mesmo no DEM de Rodrigo Maia — legenda egressa do PFL, de linhagem liberal, sem ranço contra o capital estrangeiro — há quem avalie apoiar o ex-ministro e exgovernador do Ceará. Incongruências da política brasileira. O discurso de político flutua ao sabor de interesses. O próprio Ciro atenua declarações contra a reforma trabalhista, para não se agastar com o “centrão” (DEM, PR, PP e Solidariedade).

Pode ser que, à medida que o tempo passe, a pauta de discussões ganhe corpo e objetividade, deixando em segundo plano esse negócio, do qual depende a sobrevivência da Embraer, em um mercado no qual a maior concorrente da fábrica brasileira, a canadense Bombardier, acaba de ser absorvida pela Airbus, única a fazer frente à Boeing no mundo. O candidato pedetista já propôs, sem entrar em detalhes, uma reforma da Previdência que mude o sistema de repartição para capitalização. No plano conceitual, faz sentido, mas é imperioso explicar como fazer a transição. Ciro e os demais pré-candidatos precisam se definir sobre como sair da armadilha em que políticos e a própria sociedade colocaram o país, ao adiar de forma irresponsável uma reforma ditada pelo fenômeno demográfico do envelhecimento da população.

Daí todo país minimamente organizado atualizar os sistemas previdenciários a uma realidade em que as pessoas vivem mais. Portanto, usufruem os benefícios previdenciários mais tempo e, por isso, precisam contribuir também mais para eles. O Brasil acumula déficits públicos há quatro anos, alguns acima de R$ 100 bilhões. Não pode continuar assim. Mantém-se, dessa forma, o risco constante do retorno da inflação elevada e da consequente subida dos juros, barreira ao crescimento, logo, à geração de empregos e de renda. A questão central a ser abordada na campanha é como evitar a insolvência do Estado.

O Estado de S. Paulo

Indicadores de emprego da FGV mostram baque

A queda revelada pelos Indicadores do Mercado de Trabalho do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) relativos a junho foi particularmente intensa, acendendo uma luz amarela no tocante às perspectivas de recuperação mais rápida do emprego no segundo semestre. Os números traduzem o impacto sobre o emprego decorrente do fraco comportamento dos setores industrial e de serviços. O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) caiu 5,6 pontos, de 101,1 pontos em maio para 95,5 pontos em junho.

Foi a quarta queda mensal consecutiva do indicador, que recuou 14,1 pontos entre fevereiro e junho deste ano, ou seja, 12,9%. Em 12 meses, a queda foi de 1,4%. O recuo mostra a perda de confiança numa “maior geração de emprego ao longo dos próximos meses”, afirmou o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Ibre-FGV. O crescimento está abaixo do “previamente esperado” e, com isso, a consequência deverá ser “uma menor contratação” de pessoas, enfatizou o economista.

Também foram desfavoráveis os dados do Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), que aumentou pelo segundo mês consecutivo e voltou aos níveis de fevereiro deste ano. O índice tem mostrado relativa estabilidade em relação ao início do ano, mostrando “que a situação atual do mercado de trabalho continua difícil, principalmente para as classes de baixa renda”, assinalou Barbosa Filho. O ICD revelou que as faixas de renda inferior a R$ 2,1 mil mensais e superior a R$ 9,6 mil mensais foram as mais atingidas pela deterioração da economia e do emprego. A situação mais grave é a das classes de baixa renda, nas quais se localizam as famílias com menor capacidade de poupança e maior endividamento.

O desemprego, neste caso, tende a atingir o consumo, já afetado pelos aumentos de preços registrados no último bimestre. Os indicadores de emprego da FGV são construídos com base numa combinação de séries extraídas das sondagens da indústria, de serviços e do consumidor. Refletem, portanto, a intensidade da desaceleração que atingiu quase toda a economia brasileira em decorrência da greve dos transportadores. A produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, mostrou queda de 10,9% entre abril e maio.

Folha de S. Paulo

Agruras cambiais

Começam a surgir os primeiros impactos da forte alta das cotações do dólar nos últimos meses. Longe de abrir um caminho rápido para o crescimento econômico, como acredita uma ala dos economistas nacionais, a desvalorização cambial tão somente beneficia alguns e prejudica outros.

Na indústria, essa dicotomia aparece mais claramente. Setores que utilizam parcela relevante de insumos importados em seus produtos tendem a ter perda de rentabilidade, caso não consigam repassar o aumento de custos ao consumidor.

É o que se vê no momento. Com a debilidade da demanda, qualquer tentativa de elevar preços pode derrubar as vendas e resultar em perdas ainda maiores. Assim acontece, por exemplo, em segmentos como automotivo, químico e de alimentos, altamente sensíveis às variações da moeda americana.

Estudo da equipe econômica do Bradesco, citado em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, sugere que os repasses têm sido insuficientes para recompor os lucros das empresas. Até agora, a alta do dólar, próxima a 18% desde o início do ano, tem afetado proporcionalmente mais o atacado do que os índices ao consumidor.

Também enfrentam mais dificuldades os ramos industriais que precisam comprar maquinário importado. É bem documentada a relação negativa entre a variação cambial e os investimentos, pelo menos a curto prazo —na medida em que o país não dispõe de capacidade suficiente em áreas de maior sofisticação tecnológica.

Há, por outro lado, setores que se beneficiam. Exportadores com custos majoritariamente denominados em reais, como frigoríficos, ou com produtos cotados diretamente em moeda forte, como mineração, papel e celulose, tendem a conseguir aumento dos lucros com maior facilidade.

Cumpre considerar ainda os impactos financeiros. Dado que o conjunto das empresas tem mais dívidas do que créditos em moeda estrangeira —das subsidiárias de multinacionais às brasileiras que se aproveitaram dos baixos juros internacionais nos últimos anos—, a desvalorização do real resulta em perdas patrimoniais.

Esse problema já foi muito maior, mas ainda se mostra presente. Por razões históricas, a alta do dólar no Brasil tende a ser vista como sintoma de doença econômica.

A questão a destacar, portanto, é que a desvalorização cambial, por si só, não leva ao crescimento da renda nacional. Mais essenciais —e difíceis— são as iniciativas capazes de reduzir custos internos e elevar a produtividade.

Leia-se, em particular, maior abertura e integração comercial, para absorver tecnologia, ampliar escala e acirrar a competição.

Deixe uma resposta