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Mexer na taxa de juros neste momento “é suicídio”, diz José Luiz Oreiro

Em entrevista publicada nesta quarta-feira (13) no jornal “Correio Braziliense” (veja abaixo), o economista José Luiz Oreiro, professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília), disse ser fundamental, na campanha eleitoral, que os candidatos falem a verdade para a população e que neste momento aumentar a taxa de juros “é suicídio”.

“O que não pode acontecer é o que a Dilma fez: um discurso na campanha eleitoral e, logo que eleita, algo completamente diferente”, afirmou.

Cinco perguntas para José Luiz Oreiro, professor do Departamento de Economia da UnB (Universidade de Brasília)

Correio Braziliense

O Banco Central (BC) deve manter as ações para conter a alta do dólar oferecendo proteção para empresas endividadas, mas não deve atuar diretamente na venda da moeda, defende o economista José Luiz Oreiro. Ele concedeu entrevista, ontem, ao programa CB. Poder, parceria entre a TV Brasília e o Correio. A seguir, alguns trechos:

O senhor falou da necessidade de equilibrar as contas públicas. Ao fazer isso, o próximo governo adotará medidas impopulares. Haverá tensão social caso se tente resolver os problemas do país?

oreiro 2É fundamental, na campanha eleitoral, os candidatos falarem a verdade para a população. O filme The Darkest Hour mostra que Winston Churchill, primeiro-ministro da Grã-Bretanha na 2ª Guerra, fez o seguinte discurso: “Nada tenho a oferecer senão meu trabalho, sangue, suor e lágrimas”.

E os brasileiros estão preparados para ouvir isso?

Têm que saber a verdade. O que nos espera é difícil, temos muitos ajustes para fazer, não vamos voltar do dia para a noite para uma situação de bem-estar. Mas os candidatos a presidente têm que dizer isso. É o que vão fazer. O que não pode acontecer é o que a Dilma fez: um discurso na campanha eleitoral e, logo que eleita, algo completamente diferente.

O BC tem capacidade de proteger, neste momento, as empresas que estão endividadas em dólar?

Sim. O swap que está sendo oferecido é um contrato em que o BC troca a desvalorização do câmbio pelo pagamento de juros. Quando o câmbio se desvaloriza além dos juros domésticos, o BC paga para o possuidor do contrato essa diferença.

É necessário usar as reservas cambiais para atuar diretamente no mercado, vendendo dólares?

Pode-se fazer, mas não é a melhor forma de intervir. A melhor forma é por intermédio de swap cambial. Há um arsenal enorme de instrumentos para reduzir a pressão especulativa sem mexer na taxa de juros.

O BC pode ter de elevar juros?

Mexer na taxa de juros neste momento é suicídio.

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