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Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (13/02/2018)

MANCHETES

O Globo

Temer vai deslocar refugiados venezuelanos para outras regiões
Com Rio sob arrastões, autoridades se afastam

O Estado de S. Paulo

Brasil reforça ação militar na fronteira venezuelana
Novo ‘boom’ do petróleo deve aliviar a crise do Rio
Sob pressão, PSDB avalia filiar Márcio França em SP

Folha de S. Paulo

Fome na Venezuela é ‘gravíssima’, diz OEA
Movimentos de renovação querem 500 candidaturas
Impasse trava leilão no pré-sal de até R$ 90 bi

EDITORIAIS

O Globo

Gastos com a saúde pública

Não existe mágica

Há dois itens em qualquer orçamento público, no mundo, diante dos quais toda sociedade é muito sensível, e com razão. Um é a Previdência, no momento, na agenda brasileira, em lugar prioritário, e o outro, a saúde pública, uma fonte de preocupações constantes de governados e governantes. Como a aposentadoria, a saúde tem um valor vital para a população, e também com características semelhantes aos sistemas de seguridade: seus custos não param de subir. A Previdência é essencialmente condicionada pela demografia, e esta, no mundo, apresenta tendência inexorável de envelhecimento da população — o que significa mais aposentadorias e pensões, enquanto, por força da queda das taxas de natalidade, outro fenômeno mundial, há menos jovens entrando no mercado de trabalho para, com suas contribuições, financiarem os benefícios previdenciários.

Na inércia, os sistemas tendem à insolvência, daí a necessidade de reformas periódicas, queiram ou não os políticos. Na saúde, há uma constante pressão nos custos devido a avanços tecnológicos (novos medicamentos, equipamentos mais precisos) e ao envelhecimento mesmo da população. Laboratórios e fabricantes buscam o retorno mais rápido possível dos bilionários investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Foram abertos novos caminhos, inclusive com a ajuda do Brasil, pelo lançamento de medicamentos genéricos, sem marca comercial, mais baratos. Há também o mecanismo aceito internacionalmente da quebra de patentes de medicamentos em casos específicos. Outro fator de redução de custos. Mas o que se consegue é atenuar os efeitos do aumento de custos na medicina, e não acabar com o problema.

Isso afeta o SUS brasileiro e, por exemplo, o NHS (National Health Service) britânico, um dos modelos de saúde pública. Também sempre pressionado por elevação de despesas. Os volumes de dinheiro que circulam nesses sistemas são enormes. O orçamento do SUS está na faixa acima dos R$ 100 bilhões. E onde há estas cifras existem pressões para negócios escusos. Trata-se de instalar governanças que coíbam falcatruas. Afastar empresas privadas, demonizá- las, atende apenas a dogmas ideológicos, porque sem elas o Estado não consegue bens e serviços de qualidade.

Laboratórios estatais, salvo exceções, costumam ser caixas-pretas e tendem também a estimular corrupção. Em qualquer país, a administração pública precisa ser eficiente. No Brasil, Estados Unidos ou Luxemburgo. E em todos eles o dinheiro do Estado é finito, porque é limitada a capacidade do contribuinte de sustentar o poder público. Portanto, no SUS como também no NHS e em qualquer outro sistema de saúde pública, é imperativo adotar métodos administrativos e gerenciais mais eficientes. Sempre. Uma atividade como esta é incompatível com regras rígidas determinadas e defendidas por corporações, uma característica do ramo da saúde pública.

O Estado de S. Paulo

Bom começo com saldo cambial de US$ 8 bilhões

A alta liquidez existente no mercado global – cuja preservação foi colocada em dúvida pelas recentes turbulências – e a expansão do comércio mundial favorecem a recuperação mais rápida da economia brasileira este ano. De acordo com dados do Banco Central (BC), o fluxo cambial foi positivo em US$ 8,063 bilhões em janeiro, um dos melhores resultados para o mês em toda a série histórica. As colocações de títulos brasileiros mais os Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) menos amortizações, remessas de lucros e dividendos, juros e outras despesas de serviços e rendas deixaram um saldo positivo de US$ 5,527 bilhões. A isso se soma o resultado das operações de câmbio ligadas à exportação e à importação, que deixaram um superávit de US$ 2,535 bilhões. Destaca-se a captação de recursos no exterior pelas companhias brasileiras, que alcançou US$ 7,15 bilhões, superando com folga o valor registrado em janeiro de 2017 (US$ 5,95 bilhões). Teve grande peso no primeiro mês deste ano a emissão de bônus no total de US$ 2 bilhões pela Petrobrás, a preços muito atrativos em relação aos papéis da estatal que já circulam no mercado internacional. Apesar de muitas empresas privadas nacionais terem antecipado captações nos últimos meses de 2017, sua participação em janeiro foi muito expressiva, obtendo também boa aceitação. Além de empresas que já frequentavam o mercado internacional, observou- se a presença de estreantes nesse mercado em janeiro, como Natura, Rede D’Or e Hidrovias do Brasil. A não ser alguns casos eventuais de rolagem de emissões anteriores, presume- se que as empresas tenham ido ao exterior em busca de recursos para investimentos demandados pela progressiva expansão do mercado interno e por novas aberturas no mercado externo, impondo a necessidade de ampliação e modernização dos processos produtivos. A tendência é de que as emissões de títulos pelas empresas brasileiras no exterior tenham continuidade no primeiro semestre deste ano. Analistas já chamam a atenção para o fato de que as captações tendem a diminuir no segundo semestre à medida que se aproximem as eleições de outubro. De qualquer forma, a expectativa é de que a emissão total de bônus pelo Brasil em 2018 atinja o nível do ano passado (US$ 31,5 bilhões), podendo mesmo superar essa marca.

Folha de S. Paulo

Juros, mitos e fatos

Futuro presidente do Bradesco dá contribuição bem-vinda ao admitir ganho dos bancos com taxas elevadas; governo precisa zelar pela competição

Há mistificação de sobra nos ataques políticos aos juros brasileiros e às despesas do governo com o serviço de sua dívida.

A partir de uma leitura equivocada, quando não movida por má-fê, dos números do Orçamento, propaga-se o mito de que os encargos financeiros consomem quase a metade dos dispêndios federais — ou R$ 1,1 trilhão no ano passado, equivalentes a inacreditáveis 16% do Produto Interno Bruto.

De acordo com teorias conspiratórias à esquerda e à direita, as elevadas taxas decorreriam de conluio entre os políticos e os banqueiros. Nas fantasias de setores mais devotos do PT, o impeachment de Dilma Rousseff seria uma reação das elites às tentativas da ex-presidente de reduzir os montantes pagos aos credores do Tesouro Nacional.

É evidente que muitos fatos precisam ser deixados de lado para se acreditar em tais teses.

Para início de conversa, se o Banco Central realmente fixasse taxas acima do necessário apenas para favorecer o setor financeiro, a inflação estaria próxima de zero há duas décadas — afinal, o papel da política monetária ê influenciar o ritmo de alta dos preços.

Ademais, os encargos da dívida pública atingiram picos de mais de uma década no ano de 2015, na gestão de Dilma Rousseff, e estão em queda sob Michel Temer (MDB).

Isso considerado, tampouco se pode negar que os juros brasileiros constituem uma anomalia com poucos paralelos no mundo, a desafiar os estudiosos do assunto. Provavelmente não chegam a meia dúzia os países cujos governos gastam mais de 5% do PIB ao ano com o serviço de sua dívida.

Acrescente-se que vivemos processo preocupante de concentração bancária, em que somente quatro instituições (duas delas estatais) respondem por mais de 70% do mercado — e que as taxas cobradas de consumidores e empresas permanecem astronômicas.

Nesse sentido, ê bem-vinda a contribuição de Octavio de Lazari Júnior, recêm-escolhido para presidir o Bradesco. Em entrevista a esta Folha, o executivo reconheceu que os bancos ganham com os juros altos e terão de aprender a operar num ambiente de percentuais mais civilizados.

Isso implica democratizar o crédito, hoje direcionado, no mais das vezes, ao setor público e a uma minoria de grandes clientes.

Da parte do governo, há que buscar medidas capazes de estimular a competição, como o cadastro positivo —além, claro, de conter a inflação e ajustar suas contas.

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