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Previdência: Adiamento pode ser catastrófico para contas públicas e o sistema, diz especialista

Reprodução

"Em matéria fiscal e previdenciária, País incorre numa espécie de suicídio em slow motion"

Considerado uma das maiores autoridades em contas públicas e assuntos previdenciários, o economista Fábio Giambiagi disse ao jornal “O Globo” (veja abaixo) que o adiamento da reforma da Previdência pode ser catastrófico para as contas públicas e o próprio sistema. Na avaliação do especialista, quanto mais demorar para aprovar a reforma, mais dura terá de ser as mudanças no sistema de aposentadorias do País.

Segundo ele, “em matéria fiscal e previdenciária, o Brasil incorre numa espécie de suicídio em slow motion”. Economista do BNDES com passagem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo Ministério do Planejamento, Giambiagi já organizou 25 livros sobre Previdência Social.

A discussão do relatório do deputado federal Arthur Maia (PPS-BA) que prevê mudanças nas regras das aposentadorias dos trabalhadores públicos e da iniciativa privada vai começar em 5 de fevereiro. A votação em primeiro turno está marcada para 19 de fevereiro. Para ser aprovada, são necessários 308 votos favoráveis, em dois turnos.

CORPO A CORPO – FÁBIO GIAMBIAGI

“O Brasil incorre numa espécie de suicídio em ‘slow motion'”

Economista alerta para necessidade de se aprovar reforma e diz que, quanto mais demorar, mais dura ela terá de ser

Daiane Costa – O Globo

Um dos maiores especialistas sobre o tema, o economista Fabio Giambiagi diz que o adiamento da reforma da Previdência pode ter um final catastrófico para as contas públicas e para o próprio sistema.

O rombo da Previdência atingiu recorde de R$ 268,7 bilhões. O quanto essa cifra aumenta o drama do país em relação a uma reforma que não sai?

Eu tenho repetido há anos que, em matéria fiscal e previdenciária, o Brasil incorre numa espécie de suicídio em slow motion. O drama é que o final é catastrófico, mas, exatamente pelo fato de não gerar uma diferença radical entre um ano e outro, é encarado como normal pelo mundo político.

Para cada possível data de votação teremos um impacto diferente nas contas públicas?

Se não votarmos a reforma em fevereiro, o mais razoável é supor que ficará para 2019. Não creio que seja realista votar a reforma em novembro (depois das eleições presidenciais). Se o panorama está complicado com o governo no comando e os parlamentares querendo se eleger, após as eleições, com parte dos deputados não tendo sido reeleita, pela margem normal de renovação que sempre tem, aí então é que ficará difícil reunir o quórum em torno de 500 deputados para votar.

Onde o governo falhou nesse trâmite de aprovação?

Havia uma estratégia traçada, e ela teria muito provavelmente êxito. Então, no dia 17 de maio, aconteceu um terremoto (a notícia de que o dono do frigorífico JBS gravou o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha). Os fatos falam por si.

O mercado parece já ter precificado que a reforma ficará para o ano que vem…

O mercado é comandado pelo ambiente externo. Quando ele era ainda bastante incerto, acreditava-se que a não aprovação da reforma teria consequências instantaneamente terríveis. Agora, na atual fase de bonança externa, qualquer fato local encontra uma interpretação otimista.

Qual será o efeito para outro governo se essa reforma ficar para 2019?

Hoje, no contexto político, a ideia é que o substitutivo do relator Arthur Maia é o máximo que se conseguiria aprovar. Eu acredito que, em 2019, deveríamos considerar que a proposta original do governo, apresentada em dezembro de 2016, vai ser o piso de qualquer proposta futura: o que for discutido em matéria de rigor terá de ser daí para cima.

Quem vai pagar a conta desse atraso?

Quanto mais atrasa a reforma, mais dura ela terá de ser, porque o gasto previdenciário será maior e, dada a regra do teto, mais será preciso subir o sarrafo das condições futuras de aposentadoria para evitar que a continuidade do crescimento da despesa previdenciária estrangule o espaço para outras políticas públicas.

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