PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

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Carlos Fernandes: O Brasil em Movimento

No início de um ano eleitoral conturbado, cujos resultados ainda imprevisíveis serão fundamentais para o futuro do Brasil, diante de uma crise política sem precedentes e da absoluta falta de confiança nos partidos, que se transformaram em estruturas obsoletas e distanciadas da maioria dos cidadãos, o PPS tem uma oportunidade única, às vésperas do seu 19º Congresso Nacional, de se renovar, modernizar e dar um passo adiante neste processo de aprimoramento democrático e republicano do país.

Não por acaso, desde o nosso manifesto de fundação, em 1992, como legítimo herdeiro e sucessor do velho Partidão, o PPS se apresenta como “plural e aberto à participação de todos os que acreditam que é possível, a todos os seres humanos, viverem iguais e livres”.

E prossegue o manifesto, incrivelmemente atual: “Um Partido que, num mundo de mudanças, assume o compromisso central com a vida, entendendo-a como indissociável da natureza e da cultura. Um Partido que quer contribuir para a construção de uma nova ética, em que o ser humano, sem nenhuma discriminação, seja protagonista e beneficiário das transformações sociais.”

“Um Partido que não use o povo, mas seja um instrumento para que cada cidadão seja sujeito de sua própria história. Um Partido que tenha como prática a radicalidade democrática, que permita a cada ser humano exercer sua plena cidadania, na área em que reside e no planeta em que habita. Um Partido que tem como objetivo a reforma democrática do Estado para que ele não tutele, mas que seja controlado pelos cidadãos e pela sociedade.”

“Um Partido que é e será um espaço aberto à participação de todos os que têm aspiração de construir essa sociedade. Um Partido que assume sem medo compromissos com o presente e o futuro, recusando a infalibilidade e o dogma, mas tendo em conta a experiência do passado.”

“Um Partido que não tem fórmulas prontas e acabadas, e que se propõe a discutir e formular um Projeto para a Nação Brasileira, com a colaboração de todas as forças do campo democrático. Esse é o desafio lançado a todos os militantes deste novo Partido e o convite a todos os que queiram nele se integrar.”

Nada mais atual, neste quadro caótico de esgotamento do atual sistema político, partidário e eleitoral. Aliás, é importante destacar também que, mesmo perante tantas adversidades, o PPS segue como referência da boa política e alternativa aos vários movimentos cívicos que surgem exatamente com o objetivo de ressignificar a política, rever as suas práticas e melhorar a qualidade ética de quem dela participa.

O PPS, que historicamente vem mantendo um diálogo afinado com estes grupos e lideranças que reivindicam uma nova forma de fazer política, deve saber aproveitar este ano congressual partidário – e coincidentemente eleitoral – para reiterar o seu papel de interlocutor privilegiado de setores da sociedade que compartilham de seus posicionamentos, acreditando que o país precisa urgentemente enfraquecer pensamentos extremados, e da certeza de que o exercício do debate franco, aberto e de alto nível na formulação de políticas públicas é o único caminho para solucionar os graves problemas brasileiros.

A renovação da política e a redemocratização da democracia são necessidades emergenciais. O PPS pode ajudar a superar os entraves, por exemplo, para que um cidadão comum e sem vinculação partidária anterior se candidate ao Congresso Nacional. Daí a importância fundamental de intensificar o diálogo com esses diversos movimentos da sociedade, como Agora, RenovaBR, Acredito, Livres, RAPS, Bancada Ativista, MBL, Vem Pra Rua e tantos outros.

Defendemos e incentivamos estas candidaturas cívicas alinhadas às convicções ideológicas que alicerçam nossa atuação. Somos, e seguiremos sendo, um partido que incentiva a união de forças de um campo central no cenário político e que se contraponha fortemente a extremos tolos e antidemocráticos que vemos emergir. Portanto, o PPS é porto seguro para aqueles que se somam a este entendimento e querem atuar na política, mas não necessariamente possuem uma vida partidária.

Vivenciamos esta experiência em São Paulo com a eleição do vereador Ricardo Young, abrindo as portas para que ele e outros fundadores da Rede Sustentabilidade, movimento liderado por Marina Silva e que em 2011 enfrentava dificuldades burocráticas para se transformar num partido oficial, obtivessem legenda e disputassem a eleição. Está aí um modelo bem sucedido e pronto a ser seguido.

O PPS pode impulsionar essa energia criativa da sociedade. Este ímpeto transformador certamente contribuirá no fortalecimento de um campo democrático, do qual somos parte e para o qual podemos ser uma força alavancadora e aglutinadora. O PPS pode ainda desempenhar nas eleições de outubro um papel facilitador para o surgimento de novas lideranças políticas, bem preparadas e bem intencionadas, dispostas a fazer diferente e melhor.

Democracia, ética e transparência são princípios essenciais que devem nos unir. Pautas como o combate irrestrito à corrupção, uma gestão fiscal responsável, a valorização do cidadão, o amplo acesso à educação básica, à moradia, à saúde e ao trabalho, segurança eficiente, o respeito às liberdades individuais e coletivas, são os complementos necessários para o desenvolvimento sustentável e solidário que devemos construir cotidianamente.

É hora de deixar de lado questões menores para formatar um novo partido-movimento, uma nova agenda de políticas públicas e, principalmente, para inaugurar novos tempos para o Brasil, tendo como foco a qualidade de vida dos brasileiros e a estabilidade das instituições. Vamos em frente!

Carlos Fernandes é presidente municipal do PPS paulistano, secretário-geral do PPS estadual e prefeito regional da Lapa.

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