PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

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Veja as manchetes e editoriais dos principais jornais hoje (14/11/2017)

MANCHETES

O Globo

Justiça ignora crise e pressiona para criar 5,5 mil cargos
Racha no PSDB faz ministro deixar governo
Petrobras lucra R$ 266 milhões

O Estado de S. Paulo

PSDB deixa Cidades e Temer antecipa reforma ministerial
Após Carne Fraca, venda de frango para a Europa cai 17,5%
Petrobrás tem lucro líquido de R$ 266 milhões, 10% do esperado

Folha de S. Paulo

Saída de tucano do governo acelera troca de ministros
Falta de definição na reforma da CLT gera insegurança
Bolsa Família deve ter reajuste acima da inflação em 2018
Petrobras caminha para 1º lucro anual depois da Lava Jato

EDITORIAIS

O Globo

Forma do Enem está esgotada

Acaba de ser vencida mais uma etapa anual do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), com cenas que se repetem. A correria dos atrasados, a mobilização policial para prevenir fraudes, a ansiedade de milhões de jovens à espera das primeiras divulgações de gabaritos antecipados pela imprensa na internet etc.

Tudo justificado, porque se trata da única oportunidade no ano que a geração que conclui o ensino médio tem para entrar no mundo universitário. O Enem, criado em 1998, no final do primeiro governo FH, com Paulo Renato Souza no Ministério da Educação (MEC), surgiu para testar a qualidade do ensino médio. E terminou se convertendo, em 2009, com Lula no Planalto e Fernando Haddad no MEC, em um supervestibular.

Com as desvantagens desse tipo de avaliações de massa. Uma delas, as fraudes. Por ser uma espécie de “bala de prata”, um tudo ou nada para, só este ano, 6,7 milhões de aspirantes a faculdades, compensa para grupos de criminosos investir em esquemas de quebra de sigilo. Há sempre alguém disposto a pagar por gabaritos furtados.

Este é um dos motivos pelos quais o Enem deveria prever mais que um teste por ano, e de forma regionalmente descentralizada, no modelo do Scholastic Assessment Test (SAT), americano. Desta vez, o Enem foi aplicado em duas etapas. Melhorou para os estudantes, mas os problemas de fundo continuam. A possibilidade de fraudes, no modelo de vários testes diferentes distribuídos no ano, praticamente desaparece.

Reduz-se, ainda, a tensão dos jovens, hoje forçados a jogar um ano de estudo em provas feitas em um fim de semana ou dois. Nos Estados Unidos, quem não for bem em um exame pode se inscrever no seguinte. Instituído em 2010, com Lula e Haddad, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) tem a vantagem de permitir que a nota do Enem sirva de passaporte para estudantes entrarem em faculdades públicas em todo o Brasil.

O problema está no Enem. No governo de Dilma Rousseff, com Aloizio Mercadante no MEC, justificou-se a manutenção do Enem na sua forma atual pela falta de recursos públicos para se adotar o bom modelo americano ou algo semelhante.

Afinal, é necessário estruturar-se um gigantesco banco de questões pré-avaliadas, para que, independentemente do número de testes aplicados, eles sejam equivalentes entre si, em termos de grau de dificuldade e eficácia na avaliação.

Assim, é possível distribuir “Enems” pelos meses, sem que uma prova seja mais fácil ou difícil que outra. Sobre o problema do custo, devem-se considerar as economias em logística e na prevenção a fraudes. Além disso, o benefício a milhões de estudantes e para a própria qualidade da seleção justificam este avanço.

O Globo

Operações em São Gonçalo se revelam inócuas

Num intervalo de apenas quatro dias, polícias do estado e tropas federais fizeram duas operações de combate ao tráfico de drogas na comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Nos dois casos, repetiram os erros da velha política de segurança.

Na madrugada do dia 7, 3.500 agentes das polícias civil e militar, da Força Nacional, da PF, da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas realizaram a oitava ação conjunta desde agosto, quando foi firmada a parceria entre estado e União para combate à violência. Tiveram apoio de 24 blindados e 16 embarcações. Mas os resultados foram inversamente proporcionais ao aparato utilizado.

Oito suspeitos detidos e nenhuma arma apreendida. O traficante Thomaz Jhayson Vieira Gomes, o 2N, principal alvo, não foi localizado.

Foi a primeira grande operação conjunta após as polêmicas declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, que acusou comandantes de batalhões da Polícia Militar fluminense de conivência com o crime, causando mal-estar na cúpula da segurança e provocando um curto-circuito na relação — essencial, diga-se — entre as forças do estado e da União. Ao menos dessa vez, não se falou em vazamento de informações para justificar os modestos resultados da operação.

Agentes da Polícia Civil disseram que uma confusão com os comboios na Ponte Rio-Niterói teria atrasado a chegada das forças de segurança a São Gonçalo, permitindo que traficantes fugissem. Carros da polícia teriam ficado presos num dos bloqueios feitos por fuzileiros.

O que parece inimaginável numa ação planejada. Na madrugada de sábado, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) — tropa de elite da Polícia Civil — e militares do Exército voltaram à comunidade do Salgueiro, numa operação ainda cercada de dúvidas.

Certeza até agora é que sete pessoas foram mortas durante um baile funk — algumas sem passagem pela polícia. E que foram apreendidos um fuzil, sete pistolas, carregadores e munição. Em depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói, policiais da Core negaram que tenham feito disparos durante a operação no Salgueiro. Militares do Exército também disseram que não atiraram.

Diante de informações desencontradas da polícia e do Comando Militar do Leste, ainda pouco se sabe sobre o que de fato aconteceu. Por isso, é fundamental que se avance nas investigações. De qualquer forma, os casos evidenciam que a integração entre as forças de segurança não pressupõe apenas ações conjuntas.

Requer, acima de tudo, inteligência e planejamento, para que não se desperdicem recursos, ou gere mais violência. Há precedentes para uma atuação eficaz, como as ações antiterrorismo na Rio 2016. Caso contrário, operações cinematográficas como a de terça-feira — ou nebulosas como a de sábado — repetirão velha fórmula, que, sabe-se, não dá resultado.

O Estado de S. Paulo

Mercado de trabalho melhor, segundo a FGV

Após os indicadores favoráveis da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dois indicadores recentes sobre o emprego divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV) confirmam as avaliações positivas sobre a retomada da demanda de mão de obra.

Os números mais favoráveis vieram do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), que avançou 2,3 pontos entre setembro e outubro. Também o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) exibiu números confortáveis, recuando 0,5 ponto em relação a setembro. O IAEmp já havia superado, em setembro, a marca de 100 pontos que separa os campos positivo e negativo, atingindo 102,9 pontos em outubro.

Esse índice supera em 12,9 pontos o de dezembro passado e em 10 pontos o de dezembro de 2016. Note-se que outubro é um mês sazonalmente favorável ao emprego, pois a indústria está produzindo mercadorias para o Natal, enquanto o varejo e os serviços se preparam para atender à demanda mais forte do final de ano.

O IAEmp vem subindo quase ininterruptamente desde outubro de 2015, período em que a economia brasileira vivia, no governo do PT, a pior recessão da sua história. Como notou Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do Ibre- FGV, “a recuperação gradual da economia e as perspectivas de um maior crescimento em 2018 sugerem que a geração de emprego deverá ser mais forte no próximo ano”.

Para isso é essencial que se confirme o sentimento de melhora dos negócios nos próximos seis meses, como esperam os empresários, bem como a expectativa dos consumidores de melhora do mercado de trabalho. O ICD também recuou pelo segundo mês consecutivo, mas, como a variação foi pequena, os economistas do Ibre-FGV consideram que predomina a estabilidade.

Essa situação se vem mantendo desde abril, com melhora “na margem” no que diz respeito à geração de vagas de trabalho, formais e informais. Mas, ao mesmo tempo, “observa-se que o desemprego continua elevado”, diz Barbosa Filho. A reação dos entrevistados das pesquisas não é uniforme.

A perspectiva de queda mais intensa do desemprego é maior entre consumidores com renda familiar de até R$ 2,5 mil e entre os que ganham mais de R$ 9,6 mil mensais. O maior desafio está nas faixas médias.

O Estado de S. Paulo

Tesouro em perigo

Explosivos e armas são para assaltantes vulgares. Nenhum deputado ou senador precisa de bomba ou revólver para estourar os cofres da União, distribuir favores à custa do contribuinte e desarranjar de forma desastrosa as contas do governo, com prejuízo para muitas dezenas de milhões de brasileiros. Basta juntar votos para aprovar alguns projetos de lei recheados de irresponsabilidade, para deformar propostas importantes para o Tesouro ou para frear iniciativas essenciais para o futuro do País. Uns poucos projetos em tramitação no Congresso podem produzir em um ano despesas superiores a R$ 20 bilhões e gastos consideráveis nos anos seguintes. O gasto adicional pode anular, já no primeiro ano, boa parte do esforço do Executivo para controlar as finanças oficiais e impedir a expansão do buraco fiscal.

O Orçamento federal para 2018 estabelece um limite de R$ 159 bilhões para o déficit primário, isso é, para o saldo negativo calculado sem a conta de juros. Enquanto a equipe econômica busca formas de restringir os compromissos e reforçar a receita, parlamentares, até da base aliada, movimentam-se no sentido contrário, apoiando projetos para ampliar os custos do Tesouro e dificultar a arrecadação.

Depois de terem deformado o projeto de renegociação das dívidas fiscais do setor privado, o chamado Refis das empresas, congressistas tentam agora criar enormes facilidades para o setor rural e para prefeituras. Se os projetos forem aprovados, municípios devedores da Previdência terão dívidas parceladas com enorme generosidade e benefícios escandalosos serão estendidos a fazendeiros devedores do Fisco. Só o Refis do setor rural, com parcelamento sem multa e sem juros, deve custar ao Tesouro R$ 5 bilhões.

Levantamento feito pelo Estado aponta vários projetos com grande potencial de dano às finanças federais. A lista inclui, entre outros itens, o Refis municipal e o rural, um reajuste de 11,4% para a tabela do Imposto de Renda, a obrigação de criar uma unidade de saúde para cada 100 mil mulheres e regras novas para a Lei Kandir.

Aprovada na década de 1990, essa lei foi elaborada para corrigir, por tempo limitado, um defeito do sistema tributário brasileiro. As exportações de manufaturados são isentas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), mas as vendas externas de bens primários e semielaborados são tributadas, em contraste com as melhores práticas internacionais.

De acordo com a Lei Kandir, os Estados estenderiam a isenção a todas as categorias de produtos e seriam indenizados pela União. Os Estados teriam um prazo para se adaptar e o esquema seria extinto em pouco tempo. O arranjo foi prorrogado várias vezes, no entanto, e continua em vigor, como se a própria expansão das exportações daqueles produtos nunca tivesse beneficiado outros setores e reforçado a tributação, ou, ainda, como se ninguém devesse ter trabalhado para racionalizar o sistema tributário.

Se a proposta de ajuste da Lei Kandir for aprovada, as novas normas custarão ao Tesouro Nacional R$ 9 bilhões por ano. Pelos detalhes da reportagem, é fácil chegar aos R$ 20 bilhões, ou pouco mais, no primeiro ano de vigência da farra proposta nos novos projetos.

A orgia é defendida tanto por parlamentares da oposição como por deputados e senadores da chamada base governista. Para os oposicionistas, criar dificuldades para o governo pode até parecer uma obrigação. Além disso, é preciso levar em conta seu apoio a administrações marcadas, desde o segundo mandato do presidente Lula, por indisfarçável desprezo à boa gestão das finanças públicas. Mas os cidadãos deveriam ter, supostamente, o direito de esperar da tal base aliada algum compromisso com as metas de responsabilidade financeira do atual governo. Essa expectativa, no entanto, seria uma ilusão. Se existisse o tal compromisso, o governo seria dispensado, por exemplo, de barganhas para conseguir apoio à reforma da Previdência, uma das mudanças mais importantes para o futuro do País. Mas quantos parlamentares se preocupam de fato com este País?

O Estado de S. Paulo

Igualdade de gênero

Em setembro de 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu em sua sede, em Nova York, a maior reunião de chefes de Estado já realizada até então. A chamada Assembleia do Milênio reuniu 191 delegações, 147 delas lideradas pelas maiores autoridades nacionais.

Partindo da premissa de que, àquele estágio do desenvolvimento humano, as nações já dispunham do conhecimento e da tecnologia para enfrentar a maioria dos problemas globais, os líderes mundiais assinaram uma declaração conjunta contendo 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), além de 48 indicadores que permitem a avaliação uniforme das políticas públicas para o atingimento daquelas metas em níveis global, regional e nacional.

Ante a vasta gama de possibilidades, reduzir a apenas oito o número de objetivos a serem alcançados pela comunidade internacional, cuja evolução pode ser acompanhada no portal da ONU, dá a medida da importância de cada um deles para que, no futuro, se possa alcançar um patamar de desenvolvimento que leve a um mundo mais pacífico, justo e harmonioso.

Um desses oito objetivos traçados pela ONU é “promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres”. Por mais significativos que tenham sido os avanços na redução da disparidade que existe entre homens e mulheres nas últimas décadas, sob os mais variados aspectos, o desequilíbrio de gênero que ainda se observa em questões centrais da sociedade moderna, como a representação política, as relações de trabalho e a oferta de oportunidades para o desenvolvimento econômico, ainda representa um enorme desafio para o futuro.

Muitos dos avanços citados ocorreram pela derrubada de barreiras legais que antes impunham às mulheres restrições objetivas ao exercício de seus direitos. Nos regimes democráticos, não há mais nada que impeça, legalmente, o acesso das mulheres a qualquer direito que também seja concedido aos homens. Entretanto, as barreiras sociais que ainda existem parecem mais difíceis de serem transpostas.

De acordo com o relatório Situação da População Mundial 2017, publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a igualdade de gênero ainda é uma meta longe de ser alcançada, sobretudo no Brasil, um dos países signatários da Declaração do Milênio.

A situação das mulheres brasileiras, especialmente as mais pobres, é particularmente cruel porque, além das limitações que já têm de enfrentar pela própria condição de gênero, sobre elas ainda persistem dificuldades de acesso a serviços públicos básicos que não raro impõem severos óbices ao seu desenvolvimento social e econômico, comprometendo, inclusive, a erradicação da pobreza, outra das metas globais definidas pela Assembleia do Milênio.

Citando dados oficiais, o relatório do UNFPA mostra que 20% dos bebês brasileiros nascem de mães adolescentes que não têm acesso a serviços básicos de saúde, menos ainda a programas de planejamento reprodutivo. Entre estas jovens, 60% não trabalham nem estudam, metade delas concentrada na Região Nordeste. A precariedade na oferta de creches nas áreas urbanas das grandes cidades – onde estão concentrados 85% da população – é outro obstáculo ao mercado de trabalho e, consequentemente, ao desenvolvimento econômico do País.

“Hoje, a desigualdade nos países não pode mais ser entendida apenas entre ter e não ter. As desigualdades são cada vez mais entendidas entre o que as pessoas conseguem e não conseguem fazer”, disse Jaime Nadal, representante do UNFPA no Brasil.

O diagnóstico da agência da ONU é corroborado pela pesquisa Global Gender Gap Report 2017, recém-divulgada pelo Fórum Econômico Mundial. Em um ranking de 144 países, o Brasil é o 90.º em igualdade de gênero. Em relação ao levantamento do ano passado, o País perdeu 11 posições, o que revela o tamanho do desafio para chegarmos a um patamar de equidade entre homens e mulheres.

O Estado de S. Paulo

MST procura outra freguesia

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nunca se preocupou de fato com os agricultores sem-terra, mera massa de manobra para alimentar sua agenda política e ideológica, que se confunde com a do Partido dos Trabalhadores (PT). Sendo assim, não é difícil para esse grupo, que faz da baderna sua principal forma de atuação, escolher a clientela que melhor se enquadre em suas estratégias liberticidas, a depender das circunstâncias. E, no momento, a circunstância manda deixar os agricultores sem-terra de lado – já que a bandeira da reforma agrária faz cada vez menos sentido em um país que é hoje uma das maiores potências agrícolas do planeta – e procurar outra freguesia.

Recente reportagem do Estado mostrou com números a mudança de foco do MST. Em 2016, houve 83 invasões de terra promovidas pelo movimento, contra 502 em 1997. Já a invasão de prédios públicos, além de bloqueios de estradas para extorquir dinheiro de motoristas, disparou: houve 87 ações desse tipo em 2016, e neste ano o número saltou para 126. Já os protestos supostamente “contra a corrupção” foram de 72 em 2016 para 139 em 2017. Mesmo quando invadiu algumas fazendas neste ano, o MST não o fez para discutir a reforma agrária propriamente dita, e sim para reivindicar para o “povo” a propriedade dessas terras, porque teriam sido adquiridas pela “oligarquia corrupta” de forma violenta, “assassinando indígenas, escravizando e cometendo atrocidades no processo de formação da sociedade brasileira”, conforme explicou uma das líderes do grupo na ocasião.

Com isso, o MST pretende buscar apoio a outras reivindicações além da questão fundiária, como o combate ao desemprego e à corrupção, além da oposição pura e simples ao governo de Michel Temer.

Não se pode levar a sério a pauta do MST. Nenhum programa que o grupo diz defender é capaz de gerar mais empregos ou de reduzir a corrupção. Ao contrário, o ideário estatizante e antidemocrático que está na essência de seu discurso é responsável, por exemplo, pelo desastre econômico na Venezuela chavista, não por acaso um modelo para o MST. Uma versão “light” desse modelo foi adotada pelos governos do PT, e as consequências são bastante conhecidas tanto pelos milhões de desempregados que gerou como pelos milhões de cidadãos que a corrupção lulopetista lesou.

É evidente que o propósito primário do MST não é nem a reforma agrária nem a denúncia da corrupção. Se assim fosse, o grupo teria protestado com veemência contra o governo de Dilma Rousseff, que reduziu drasticamente o assentamento de agricultores sem-terra – um dos poucos acertos de sua gestão, é bom frisar –, e também contra o governo de Lula da Silva, sob cuja administração nasceram o mensalão e o petrolão, os maiores escândalos de corrupção de que se tem notícia no País.

Ademais, por ironia da história, foi no governo de Michel Temer, tão contestado pelo MST, que houve proporcionalmente o maior número de regularizações fundiárias no País. Neste ano, até julho, foram concedidos 7.356 títulos definitivos de posse de terra, contra 6.821 lavrados em 2006, o melhor ano dos governos petistas nesse quesito. Também até julho, foram assinados 58.837 contratos de concessão de uso da terra, enquanto o melhor desempenho petista foi de 47.073 contratos, em 2010, último ano do governo de Lula da Silva.

Portanto, as reivindicações do MST, seja para iludir os trabalhadores do campo, seja para engambelar os moradores das cidades, não valem as faixas em que estão escritas. Trata-se de simples pretextos estratégicos para explorar as liberdades democráticas contra a própria democracia, com o objetivo de instaurar no País um regime dito “revolucionário”. A ideia é fazer a sociedade habituar-se à violência e ao desrespeito à lei travestidos de “luta popular”, que os militantes lulopetistas do MST querem consagrar como legítima, em nome da democracia. Assim, para que a ordem democrática seja preservada contra esses farsantes, é preciso que eles deixem de ser considerados inimputáveis e comecem a sofrer os rigores da lei.

Folha de S. Paulo

Cerco ao penduricalho

Receita busca cobrar Imposto de Renda sobre vantagens recebidas por altos servidores públicos; mais importante é tornar o teto salarial efetivo

Quando se trata de justificar privilégios, impressiona o jogo de cintura da alta burocracia estatal. Veja-se o caso da resposta da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade que representa mais de 14 mil juizes e desembargadores, à tentativa da Receita Federal de cobrar Imposto de Renda sobre benefícios extras salariais hoje isentos.

Na teoria, tais valores têm natureza indenizatória e em geral não configuram remuneração. São reembolsos a agentes públicos por gastos efetuados no exercício de suas atividades; assim, a não incidência do IR estaria justificada. Entretanto, na prática cotidiana, os abusos corporativos desvirtuaram o papel dos pagamentos.

O exemplo mais notório ê o do auxílio-moradia: originalmente concebido como ajuda de custo a juizes designados para trabalhar fora de seus domicílios, a benesse foi estendida a todos os magistrados (e depois, a promotores), sem levar em conta onde residem. Pagam-se quase R$ 4.400 mensais aos beneficiários, que não têm a obrigação de comprovar o emprego do dinheiro em aluguel ou outra despesa associada à habitação.

Em tal cenário, torna-se plausível argumentar, como faz a Receita, que a indenização virou renda — e, como tal, deve ser tributada.

A AMB, de modo previsível, considera que o auxílio não eqüivale a remuneração. No entanto o entendimento parecia o oposto em 2014, quando a entidade pleiteou nada menos que a extensão do mimo aos juizes aposentados: defendeu-se, então, a paridade de vencimentos entre ativos e inativos. De todo modo, a questão fundamental nem ê tributar ou não os penduricalhos das folhas de pagamento do Judiciário e do Ministério Público. Cumpre, antes, fechar as brechas pelas quais boa parte da elite do funcionalismo escapa do teto salarial de R$ 33,8 mil mensais fixado na legislação.

Equivalente ao valor pago a ministros do Supremo Tribunal Federal, esse limite máximo ainda hoje ê letra morta, em razão da criatividade na distribuição de regalias de toda ordem.

Há, ao menos, avanços recentes no enfrentamento do problema. O Senado aprovou em 2016 projeto que disciplina a aplicação do teto. O texto, que tramita na Câmara dos Deputados, ganhou nova atenção com o disparatado pedido da ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, para a acumulação do salário com a aposentadoria de desembargadora, o que totalizaria R$ 61,4 mil mensais.

A ruína orçamentária em todas as esferas de governo não permite que se tergiverse mais sobre o tema. Sustentar vantagens para trabalhadores no topo da pirâmide social não ê fim justificável para recursos cada vez mais escassos.

Folha de S. Paulo

Reformismo argentino

Com o resultado favorável obtido nas eleições legislativas de outubro, o Cambiemos, a coalizão que sustenta o presidente argentino, Mauricio Macri, ganhou capital político para aprofundar sua agenda de reformas.

Depois de um começo penoso — a remoção de subsídios à energia e de controles de cotações cambiais levou a inflação para cerca de 40% no ano passado—, a gestão da economia começa a apresentar resultados menos amargos. A se confirmarem as projeções, o Produto Interno Bruto deverá crescer pelo menos 3%, em média, neste ano e em 2018.

Nessa hipótese aumentam, ao menos em tese, as chances de reeleição de Macri em 2019, o que estenderia o horizonte para o aprofundamento da agenda liberal. Para que tal cenário se consolide, porém, ê preciso que os progressos cheguem às camadas populares. Se a retomada do PIB já parece clara, permanece a letargia no mercado de trabalho.

O estoque de empregos está apenas 2% acima do verificado quando o atual presidente assumiu — e, assim como no Brasil, ainda muito inferior aos dos melhores momentos de anos recentes.
Embora tenha caído, a inflação continua elevada, acima dos 20% anuais. Esperam-se taxas mais civilizadas nos próximos anos, mas, ainda assim, ê improvável que apenas o ajuste conjuntural baste para assegurar a continuidade do apoio do eleitorado ao governo.

Uma melhora mais duradoura, que chegue ao mercado de trabalho, depende de reformas estruturais — como a do sistema tributário, recêm-apresentada por Macri. Pretende-se reduzir, de 35% para 25% ao longo de cinco anos, o imposto sobre os lucros das empresas, desde que tais ganhos sejam reinvestidos no negócio. Em paralelo, propõe-se desonerar salários mais baixos, como incentivo à formalização da mão de obra.

Prometem-se ainda reformulações nas áreas trabalhista e previdenciária, a serem implementadas de forma gradual e contínua. São medidas politicamente complexas. A despeito do crescimento recente, o Cambiemos não dispõe de maioria no Legislativo. Ademais, a margem para a redução de tributos ê estreita.

Impossível não notar as coincidências com a pauta brasileira. Lá como aqui, a exaustão de modelos intervencionistas impõe uma revisão ampla da política econômica. Na Argentina, porêm, o envolvimento do eleitorado no processo está mais avançado.

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