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Pollyana Gama – Primeira infância: quando a ordem dos fatores altera o produto

Como assim?

Há uma regra Matemática que diz que a ordem dos fatores não altera o produto.

No caso do desenvolvimento humano, as pesquisas mais recentes afirmam justamente o contrário quando temos por prioridade os investimentos em educação, saúde e cuidados com a primeira infância. Os resultados, tanto no presente quanto no futuro,  revelam-se positivos.

Foi o que pude observar diante de elementos trazidos em aula por Jack P Shonkoff, professor no Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard.

E por qual razão isso ocorre?

Segundo o professor, ao longo de nossa vida, temos duas “janelas cerebrais” de curto período, nas quais fica evidente o nosso processo de desenvolvimento.

A principal ocorre dos 0 aos 6 anos, isto é, primeira infância. Observe que são visíveis e acentuadas as diferenças entre uma criança de 2 anos e uma de 5 anos num curto período de tempo que há entre elas. Fala, linguagem, movimento, estatura…

As principais mudanças pelas quais passamos ocorrem nessa fase permeada de inúmeras conexões cerebrais que, realizadas de forma saudável, sem o chamado “stress tóxico”, favorecem ao desenvolvimento sadio.

Uma base segura na infância oferece sustentação às escolhas futuras, aumentando a probabilidade de êxito. Por outro lado, uma base fragilizada favorece lacunas que, por sua vez, dificultam melhores resultados, visto a necessidade de “preenchimento” que certamente será exigida no transcorrer de nossa vida.

Segundo o economista James Heckman, prêmio Nobel de Economia, países que não investem na primeira infância apresentam elevados índices de criminalidade, gravidez na adolescência, evasão escolar no ensino médio e níveis de produtividade menor no mercado de trabalho.

Você certamente pensou na realidade do nosso Brasil.

Observando as prioridades estabelecidas, por exemplo, no orçamento da Educação, por muito tempo o investimento brasileiro tem sido maior no ensino superior, o que pode esclarecer muitas de nossas dificuldades ainda persistentes na educação básica que, por sua vez, teve recursos de fundo de desenvolvimento garantidos para educação infantil somente em 2007 com o FUNDEB.

Tratamos aqui de escolhas.

Muitos governos preocupados com “soluções” imediatas e visíveis aos olhos, deixam de priorizar a infância e o resultado tem revelado o quanto é preciso reorganizar nosso olhar e atitudes ao estabelecer prioridades na gestão.

Na Comissão de Educação da Câmara Federal, tenho cobrado ações que garantam maior aporte de recursos para a educação básica e, consequentemente, a infantil. O atual ministro da pasta, Mendonça Filho, na composição  orçamentária para 2018, sinalizou positivamente nesse sentido, contudo, reconhecendo o caminho longo a ser percorrido para devida adequação.

Corrigir tais distorções geradas ao longo da história constitui desafios que exigem comprometimento de todos nós. A ciência mostra que investimentos na primeira infância podem ser decisivos para um futuro mais digno à humanidade e ao desenvolvimento de um país.

A tarefa agora é política. Façamos acontecer.

Pollyana Gama é deputada federal pelo PPS

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