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Jorge Espeschit: PPS-BH Uma breve história eleitoral

1. O PCB/PPS em Belo Horizonte, após conquistar sua legalidade, tem seu retorno formal ao cenário político, coincidindo com a volta das eleições diretas para a Prefeitura da capital (poucos se lembram, mas, até l985, o prefeito era indicado pelo governador). Nessa trajetória de rearticulação partidária, de 1985 até 2016, manteve um crescimento progressivo em número de votos, afirmando-se como uma força política com capacidade de intervenção na vida da cidade.

2. Em 1985, o PCB num ato de ousadia lançou o vereador Arutana Cobério candidato a prefeito, realizando uma campanha vitoriosa para os objetivos propostos – dar visibilidade ao partido após 40 anos de clandestinidade. Obteve 5% dos votos válidos. Lavou a alma dos comunistas; tocamos a Internacional, enquanto a bandeira do PCB, com sua foice e o martelo tremulava na Serra do Curral. O eleito foi Sérgio Ferrara, do PMDB, partido que herdava o patrimônio político da luta contra a ditadura.

3. Em 1988, o partido iniciou as discussões eleitorais em conjunto com o PC do B, PSB, PV e PH, formando uma frente dos pequenos partidos, na busca de uma alternativa comum. As opções eram o PT, cujo candidato era Virgílio Guimarães, com uma visão estreita e sectária, e o PSDB, recém criado, com uma proposta de centro esquerda. A frente de pequenos partidos dividiu-se – PCB e PC do B coligaram-se com o PSDB, que lançou Pimenta da Veiga. PSB e PH lançaram candidatos próprios. Venceu Pimenta da Veiga e elegemos Arutana Cobério como o 2o vereador mais votado, o que o credenciou para ser o Presidente da Câmara. Arutana foi candidato único, em coligação proporcional. A decisão de coligar-se com o PSDB uniu o partido não havendo disputa na Convenção.

4. Com a vitória do PSDB iniciou-se a nossa participação no executivo municipal com o convite a Juarez Amorim para Administrador Regional de Venda Nova. Cabe registrar, que Ronaldo Gontijo, nosso ex-presidente, era o Administrador Regional do Barreiro, indicado pelo PL, partido que fazia parte da coligação vitoriosa.

5. Em 1992, o PCB promoveu uma fusão com o PH e em um processo de renovação de sua linha programática transformou-se em PPS. Nas eleições apoiou Aécio Neves (PSDB), que não foi para o segundo turno (primeira eleição com este dispositivo). No 2o turno, apoiou Patrus Ananias (PT), contra Maurício Campos (PL). Para a chapa de vereadores indicamos poucos nomes, em coligação, e obtivemos em torno de 10.000 votos, não elegendo nenhum parlamentar.

6. A decisão de apoiar o PSDB não foi consensual, uma parte do partido defendia o apoio a Patrus já no 1o- turno. Participamos do governo Patrus de forma residual, em cargos de 3o escalão.

7. Em 1996, as forças políticas que governavam a cidade se dividiram. O PT lançou Virgílio Guimarães, com o apoio do PC do B, PCB e PV; O PSB lançou Célio de Castro, então vice-prefeito, com o apoio do PPS e do PMDB, que indicou o vice, Marcos Sant’Anna. Pela primeira vez ousamos lançar uma chapa de vereadores sem coligação, elegendo dois parlamentares, totalizando 53.416 – 5,17% votos. Foi uma decisão consensual, sem disputa na Convenção. Simbolizava uma 3a via, de caráter de centro-esquerda e garantia unidade ao partido, que nas últimas eleições, em diferentes níveis, oscilava entre PT e PSDB.

8. Com a vitória de Célio de Castro, do PSB, que derrotou Amílcar Martins, do PSDB, o PPS ampliou seus espaços no executivo municipal sendo convidado para as Administrações Regionais Oeste e Venda Nova e para a futura Secretaria de Coordenação Regional, que não se concretizou, sendo substituída pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A montagem do governo de Célio de Castro teve, desde o início, uma forte presença do PT, aliado do 2o turno, e que foi se aprofundando com o transcorrer do tempo, gerando insatisfação nos partidos aliados, em especial no PPS, que teve seu espaço político diminuído, após dois anos de mandato. Ao longo do governo do Célio de Castro o PPS perdeu espaços significativos em especial a Regional Oeste. Marcos Sant’Anna, vice-prefeito, antes do PMDB, se filiou ao Partido.

9. Em 2000, apoiamos a reeleição de Célio de Castro (PSB), tendo como vice Fernando Pimentel (PT) e a disputa mais uma vez polarizou-se com o PSDB, que teve como candidato João Leite. Não houve disputa de alternativas na Convenção Partidária, mas a militância foi para a campanha sem entusiasmo. Há que se destacar o trabalho realizado pelo partido para a montagem da chapa de vereadores, o que possibilitou a eleição de três parlamentares (Ronaldo Gontijo, Juarez Amorim e Valdir Antero-Índio), totalizando 91.656 – 7,56% votos.

10. Em 2004, o PPS enfrentou o dilema de ter que escolher entre a manutenção da aliança com o PT e a candidatura própria de Marcos Sant’Anna. Apoiamos a reeleição de Fernando Pimentel (PT), tendo como vice Ronaldo Vasconcelos (PV), chapa vitoriosa no primeiro turno. A disputa, mais uma vez, polarizou-se com o PSDB, que teve novamente João Leite como candidato. A militância participou mais uma vez sem entusiasmo na campanha. Outra vez, destaca-se o resultado na eleição proporcional que garantiu a eleição da segunda maior bancada na Câmara Municipal, composta por Silvia Helena, Luzia Ferreira, Ronaldo Gontijo e Miguel Corrêa que se desfiliou com pouco tempo de mandato cooptado por Fernando Pimentel. O PPS obteve 98.062 votos o correspondente a 7,64% dos votos válidos.

11. Em 2008, adversários ferrenhos no cenário político nacional desde 1994, PT e PSDB, através do Prefeito Fernando Pimentel e do Governador Aécio Neves, promoveram uma aproximação política em Belo Horizonte e o PPS participou da articulação que constituiu uma ampla aliança social, política e eleitoral representada pela candidatura de Marcio de Lacerda (PSB) para o executivo municipal, tendo como vice, Roberto Carvalho (PT). Em função do “caciquismo” de Pimentel e Aécio, expresso na campanha, a aliança enfrentou muitas dificuldades, mas acabou vitoriosa no segundo turno, derrotando o candidato Leonardo Quintão (PMDB). Na eleição proporcional, tivemos a eleição de Ronaldo Gontijo e Luzia Ferreira. Silvia Helena chegou a ser anunciada como eleita, mas após uma recontagem de votos perdemos uma cadeira para o PDT. O PPS obteve 72.567 votos o correspondente a 5,73% dos votos válidos.

12. Em 2012, as forças políticas que governavam a cidade se dividiram. No limite dos prazos para a realização de convenções, o PT rompeu com a aliança e lançou Roberto de Carvalho candidato a prefeito, com o apoio do PCdoB, que indicou a vice, Jô Morais. O PPS e o PSDB mantiveram o apoio a Marcio de Lacerda (PSB) e o PV indicou Délio Malheiros para vice. Márcio foi reeleito no primeiro turno. Na Câmara Municipal, nossa bancada ficou composta por Ronaldo Gontijo e Valdivino. O PPS obteve 71.465 votos o correspondente a 5,69 % dos votos válidos.

13. Em 2016, um novo rompimento ocorreu. Desta vez entre Marcio de Lacerda (PSB) e Aécio Neves(PSDB). Para a sucessão na prefeitura, o PSB se viu sem apoios necessários para viabilizar seus candidatos. Primeiro com a eventual candidatura Paulo Brant e depois com Délio Malheiros. O PPS voltava a participar de uma chapa majoritária com o presidente do Diretório Municipal Ronaldo Gontijo sendo o vice de João Leite do PSDB. De forma surpreendente, Alexandre Kalil (PHS) foi eleito no segundo turno prefeito de Belo Horizonte. Na eleição proporcional tivemos um resultado bem abaixo de nossas expectativas e elegemos somente um vereador, Pedrão do Depósito. O PPS obteve 34.720 votos o correspondente a 2,91 % dos votos válidos apenas.

14. Este breve relato mostra uma trajetória virtuosa do PPS/BH, que influenciou a disputa majoritária em sucessivas eleições ao tempo em que definia a centralidade de seus esforços na eleição de vereadores.

15. É importante ressaltar que os movimentos de aliança eleitoral que polarizavam o Partido no país, entre PT e PSDB, em Belo Horizonte, na maioria das vezes, nossa opção se deu pelo PSB.

Jorge Espeschit é presidente do PPS de Belo Horizonte

Nota da Redação: Texto atualizado em 14/09/2017 a pedido do autor.

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