PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

PORTAL NACIONAL

Editorial de O Globo menciona avaliação de Jungmann sobre segurança pública no Rio

O editorial do jornal “O Globo” (veja abaixo) deste sábado (12) cita a avaliação do ministro da Defesa, Raul Jungmann, sobre a solução dos problemas de segurança pública enfrentados pelo estado do Rio de Janeiro no combate à criminalidade. “Não esperem milagres”, alerta o ministro.

Solução para segurança no Rio requer tempo

A imagem de tropas federais, principalmente do Exército, nas ruas do Rio é associada pela população ao retorno da tranquilidade. A associação é real. Neste sentido, não contam intervenções federais em momentos de graves crise políticas, ocorridas durante os 128 anos de República, a começar pela própria proclamação do novo regime, num golpe militar.

Mas, em tempos recentes, de 1992 — quando blindados e tropas garantiram a tranquilidade durante a Rio-92, histórico encontro mundial sobre o clima — até hoje, as Forças Armadas têm sido cada vez mais bem-vindas, devido à degradação da segurança pública. O desejo de que soldados, em apoio a policiais, derrotem e expulsem os bandidos foi realizado em 2010, na libertação do Complexo do Alemão do controle de quadrilhas.

O correto programa de policiamento de aproximação e pacificação chegara ao ápice. Não muito depois começou a descer a ladeira, empurrado por ambições eleitoreiras de Cabral e Pezão que expandiram além do sensato a rede de UPPs. Mas, se aquele momento fosse superado, a crise fiscal devastadora, a partir de 2015, derrubaria o programa. Há pouco, dez mil soldados ocuparam pontos na cidade. Há, ainda, efetivos da Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal. “Não esperem milagres”, alertou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.

Os cuidados do ministro fazem sentido. Pois é preciso que fique para trás a ideia de que intervenção de soldados é fórmula mágica. A ajuda é imprescindível, mas é preciso um plano competente. Ocupação de áreas, entende Jungmann, serve para “dar férias a bandidos”. Sim, porque as tropas saem, eles voltam. Tem sido assim, conforme mostraram as experiências no Alemão e, principalmente, na Maré.

Existe o desafio de se construir uma estratégia que não se esgote em ações tópicas. É preciso retomar o controle dos territórios e banir o armamento pesado das áreas, como fizeram UPPs. Mas também é crucial poder reagir a qualquer ameaça, de preferência antecipando-se ao crime. Um aspecto positivo é que Forças Armadas e polícias — federal e do estado — já acumulam experiência na região metropolitana do Rio, dentro de uma filosofia de integração.

Copa do Mundo, visita do Papa e Olimpíada testaram com êxito operações compartilhadas, e devem ter deixado um estoque de conhecimentos razoáveis sobre como devem operar forças de diversos segmentos da máquina de segurança da Federação, de forma coordenada. Jugmann tem repetido a preocupação com a área de inteligência, de fato fundamental.

A impressão é que todos — estado, município, União — têm consciência dos requisitos para o combate a um crime que atravessou fronteiras, internas e externas, e está bem articulado. Para enfrentá-lo, só mesmo o Estado presente em todas frentes de combate, inclusive a financeira, da lavagem de dinheiro. E isso leva tempo, implica persistência. (O Globo – 12/08/2017)

Deixe uma resposta