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Ministro da Defesa defende integração para desmantelar crime organizado no Rio

Ao reconhecer a necessidade de mudança na forma de uso das Forças Armadas na segurança pública, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, defende a integração dos serviços de inteligência vai permitir o desmantelamento das quadrilhas no Rio de Janeiro. As informações são do jornal “O Globo” (veja abaixo) desta terça-feira (01)

Impacto imediato pode se perder se não houver outras ações articuladas

Números de crimes caem, mas podem voltar a subir como na Olimpíada

O Globo

A presença das tropas militares nas ruas do Rio trouxe, além da sensação de segurança, um efeito imediato na estatística de violência: uma queda significativa nos números de roubos de carga e veículos. Mas isso não significa que a presença ostensiva das Forças Armadas no patrulhamento poderá sozinha garantir a redução das altas taxas criminais do estado por um período prolongado.

De sexta a domingo, quando os militares foram para ruas e vias expressas, houve 30 casos de roubos de cargas e 322 de roubos de veículos. Em todas os outros fins de semana do mês de julho, no entanto, os roubos de cargas variaram entre 42 e 61 ocorrências. Já os casos de roubos de veículos também foram mais altos antes da chegada das tropas, entre 425 e 444 registros.

O primeiro impacto no reforço do patrulhamento, com imagens de tanques nas ruas, costuma ser positivo. Mas, quando se analisa os índices de criminalidade durante os últimos grandes eventos da cidade, como Olimpíada, Copa do Mundo, Copa das Confederações e Rio+20, em que as Forças Armadas ocuparam o estado por dias seguidos, verifica- se que a violência não arrefeceu.

Em todos esses acontecimentos, os índices de criminalidade aumentaram, mesmo com os militares nas ruas. No caso mais recente de megaevento, a Rio-2016, as tropas começaram a entrar na cidade a partir de julho, com simulações de treinamento. Durante os jogos olímpico e paralímpico, o policiamento foi reforçado com 21 mil homens, 12 navios, mais de mil viaturas, 70 blindados, além de helicópteros, embarcações e motos, a um custo de R$ 3,5 bilhões.

Durante esse tempo, no entanto, os roubos de rua (que somam roubos a transeuntes, de celulares e em ônibus) cresceram 66,24%, passando de 19.720 casos em 2015 para 32.783 nos três meses (julho, agosto e setembro) de Jogos. Outros índices importantes também cresceram durante o período.

Os roubos de cargas subiram 50,31%, passando de 1.564 para 2.351; e os roubos de veículos cresceram 33,8%, chegando a 9.585 ocorrências durante o período olímpico. Outro evento em que o patrulhamento das forças federais não foi suficiente para conter o crescimento da criminalidade foi a Copa do Mundo, realizada entre junho e julho de 2014. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública, durante o período, os roubos de rua subiram 40%, saindo de 11.668 para 16.332 registros, em comparação ao mesmo período de 2013.

E, assim como na Olimpíada, os roubos de cargas e de veículos também saltaram. No primeiro caso, 70,72%, disparando de 485 para 828 ocorrências. Já os roubos de veículos tiveram aumento de 14,05%, de 4.484 para 5.114.

MINISTRO DIZ QUE HAVERÁ INTEGRAÇÃO

Os números confirmam o que o ministro da Defesa, Raul Jungmann, vem defendendo sobre a necessidade de mudança na forma de uso das Forças Armadas na segurança pública. Ele afirmou que o patrulhamento ostensivo causa um efeito vaivém no crime, porque tem prazo para terminar, e a criminalidade sabe disso, adaptando-se rapidamente e migrando de uma atividade criminosa para outra.

Ele garante que, desta vez, a integração dos serviços de inteligência vai permitir o desmantelamento das quadrilhas.

Para o diretor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense, Eurico de Lima Figueiredo, os números confirmam que o uso das Forças Armadas na segurança tem efeito apenas imediato, mas não tem o poder efetivo, prolongado.

Segundo ele, o crime também tem origem social e só poderá ser combatido com integração e investimento nos serviços de inteligência.

— O que estamos precisando é de uma política nacional de segurança pública, porque uma política de segurança não é meramente policial, mas também social, porque a criminalidade no Brasil está relacionada à questão social.

O ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame falou inúmeras vezes que as UPPs eram uma ação policial que dependia de uma ação complementar, até mais importante, que era justamente a ação social. Isso não veio e prejudicou todo o planejamento — afirmou Figueiredo.

— Só vamos combater o crime, com o controle das fronteiras.

Tem que tem que ter uma ação conjunta das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar, Civil, mas também das polícias penitenciárias porque muitos desses roubos são praticados por ordem de chefes de organizações que comandam o crime das prisões.

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