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Carlos Fernandes: Respeito à política e à religião

Quero parabenizar o voto contrário do vereador Claudio Fonseca (PPS) – o único entre os 55 vereadores paulistanos, além de três abstenções – à imposição de uma anistia às dívidas das igrejas, principalmente sobre multas do PSIU, como aconteceu durante a aprovação do PPI (Programa de Parcelamento Incentivado) nesta quinta-feira à noite, na Câmara Municipal de São Paulo.

É certo que a cidade precisa de recursos para investir – e medidas que facilitem a arrecadação são sembre bem vindas, principalmente em tempos de crise. Portanto, que se esclareça: somos francamente favoráveis ao programa de parcelamento de dívidas. Isso é bom para o município e melhor ainda para os cidadãos.

Porém, em nome deste programa que é benéfico e necessário para São Paulo, não podemos aceitar manobras improvisadas e o contrabando de leis. Sem nenhum debate, sem a discussão do mérito, no apagar das luzes, não pode vir embutido no substitutivo de última hora do PPI uma emenda que beneficia apenas um determinado segmento, em detrimento da maioria da população – ainda que fosse eivado das melhores intenções.

Quando a Constituição brasileira estabelece que o Estado é laico, não é à toa. Política e religião são dois caminhos paralelos para o bem estar das pessoas. Ambos merecem respeito. Mas, quando se misturam, algo está errado na sociedade. A ação dos políticos e do poder público deve necessariamente ser imparcial em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma crença, nenhuma igreja, nenhuma manifestação de fé.

É por isso que somos contrários à anistia ou remissão seletiva de dívidas, principalmente àquelas contraídas por multas do PSIU, o programa de silêncio urbano – que é um instrumento legítimo de defesa da cidadania no combate à poluição sonora na cidade de São Paulo, tornando mais pacífica a convivência entre estabelecimentos que fazem barulho (bares, boates, restaurantes, salões de festas, templos religiosos, indústrias e até mesmo obras) e os moradores da vizinhança.

Além disso, parece injusto beneficiar com alguma anistia simplesmente aqueles setores que usarem a fé e a religião para obter o perdão de multas e obrigações. Até porque as dívidas são contraídas pelos homens, jamais por alguma divindade ou um ente superior. Então, pelo amor de Deus, vamos tratar a política com seriedade, respeitar a inteligência alheia e trabalhar para o bem de toda São Paulo.

Carlos Fernandes é presidente do PPS paulistano e prefeito regional da Lapa

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