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Rubens Bueno: O trabalho sem amarras

Os ataques disparados nos últimos dias tendo como ponto central a demonização da Reforma Trabalhista aprovada pela Câmara dos Deputados são equivocados e de um desconhecimento profundo das atuais relações do mundo do trabalho.

Muitos daqueles que engrossam o coro dos que se apresentam contra a mudança da legislação sequer conhecem o texto aprovado e se baseiam em postagens manipuladoras e mentirosas de redes sociais para formar sua opinião. Por isso, é preciso que se deixe claro que a Reforma Trabalhista (PL 8767/2016) aprovada não retira direitos dos trabalhadores. Férias, 13º salário, FGTS, aviso prévio, seguro-desemprego e tantos outros mecanismos de proteção dos trabalhadores estão mantidos.

O que se aprovou é o direito de funcionários e patrões sentarem na mesa para um diálogo franco em torno de mudanças na jornada de trabalho e em outros pontos que possam melhorar o desempenho de cada atividade produtiva sem prejudicar o trabalhador. Ou seja, se fechado o acordo entre as duas partes, ele prevalecerá sobre a legislação geral.

Portanto, o que aprovamos foram mudanças para tirar o Brasil do atraso, alterações que rompem com as amarras de uma legislação trabalhista que entrou em vigor da década de 40 e de lá para cá sofreu poucas alterações.

A realidade é outra, as relações de trabalho mudaram de forma radical. Em 1940, jamais se imaginava que uma pessoa poderia trabalhar sem sair casa e receber o mesmo salário, ou até mais, de quem precisa se deslocar até o local de trabalho.

O que está em discussão é a modernização das relações de trabalho, a entrada definitiva do Brasil em uma nova realidade mundial que permita o país avançar em seu desenvolvimento.

Quem é contra a reforma é a favor do atraso. Quem é contra a reforma esconde que, por trás de sua gritaria, está o interesse próprio. Caso típico de milhares de sindicatos de fachada que existem Brasil afora e que nada fazem pelo trabalhador. Seus diretores são bancados pela contribuição sindical, pelo suor de um dia de trabalho que é descontado anualmente de cada brasileiro que sequer tem o direito de dizer se quer ou não contribuir para o sindicato.

Na reforma, acabamos com esse instrumento espúrio que por décadas vem bancando uma estrutura sindical falida e corrupta.

Não somos contra os sindicatos sérios, ao contrário, e com essa medida estamos fortalecendo quem realmente representa o trabalhador e tem capacidade de mobilização para conseguir, através de seu trabalho e convencimento, a adesão de associados para garantir a estrutura de defesa da categoria.

As reformas que estão em andamento no país não podem ser tratadas como se fossem partidas de futebol, onde cada torcida humilha, xinga e até briga com o adversário.

Estamos mudando a legislação para fazer o Brasil avançar e, é claro, que nenhum projeto que chega no Congresso Nacional é perfeito ou livre de exageros. Desse modo, a sociedade deve se informar, colaborar, trocar ideias e manter um diálogo com os seus representantes para a aprovação de textos que atendam da melhor maneira o interesse do conjunto dos brasileiros.

Nós do PPS, por exemplo, fomos procurados por representantes da sociedade civil e conseguimos retirar da Reforma Trabalhista um item que permitiria que empresas que se utilizam de trabalho escravo deixassem de ser punidas.

De nada adianta sair por aí, desinformado e desmobilizado, xingando os políticos em geral e demonizando aqueles que votaram a favor das reformas como se fossem todos corruptos. A grande maioria dos brasileiros é formada por pessoas honestas. O que não podemos é nos deixar contaminar pela minoria corrupta e por aqueles que pretendem condenar o Brasil ao atraso. É hora de soltarmos as amarras! (Blog do Noblat/O Globo – 10/05/2017)

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