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Carne Fraca: Rubens Bueno levou denúncia a ministério em 2012

Robson Gonçalves

Rubens: Ministério da Agricultura pouco ou nada fez em 5 anos para apurar o caso

O Ministério da Agricultura já tinha conhecimento oficial, desde 2012, das atividade suspeitas do ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho, apontado pela Polícia Federal como líder da organização criminosa desbaratada nesta sexta-feira (17) na operação Carne Fraca. Em setembro de 2012, o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) enviou uma denúncia e pedido de esclarecimento ao então ministro Mendes Ribeiro (PMDB-RS), apontando que Gonçalves Filho estaria promovendo a ingerência para liberação de produtos apreendidos, dava ordens para deixar de fiscalizar empresas no estado, protegia grupos infratores e havia montado um protocolo clandestino no Porto de Paranaguá. Além disso, perseguia, afastava e exonerava fiscais que não cumpriam suas ordens.

O parlamentar, que chegou a se reunir do ministro para tratar do caso, conseguiu que a pasta abrisse, em 22 de outubro de 2012, um processo administrativo disciplinar para apurar a série de denúncias contra o superintendente e outros servidores do órgão no Paraná. No entanto, o procedimento parece não ter surtido efeito. “Fizemos o alerta sobre a atuação dessa quadrilha em 2012, três anos antes da PF iniciar a sua investigação. E pelo que estamos vendo, o ministério pouco ou nada fez em cinco anos para apurar o caso que hoje escandaliza todo o país. Na época não imaginávamos que a dimensão fosse tão grande. Com as revelações de hoje é possível supor porque a investigação interna não andou”, afirmou nesta sexta-feira o deputado Rubens Bueno, que na época recebeu a denúncia por meio do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA Sindical).

Para o deputado, o que a sociedade está vendo é mais uma quadrilha que se infiltrou no poder durante os governos de Lula e Dilma e permanecia até hoje atuando. “Basta ver que os principais beneficiários do esquema, os grupos JBS e BRF, faziam parte do seleto círculo de empresas beneficiadas com bilhões do BNDES durante os governos do PT. Além do dinheiro fácil e rápido, ficamos sabendo agora que também se serviam de uma rede de proteção para burlar a lei, sonegar impostos, atentar contra a saúde pública e por em risco a vida de milhões de brasileiros. É uma imoralidade sem tamanho”, criticou Rubens Bueno.

Na avaliação do parlamentar, o caso também poderá levar a abertura de uma CPI no Congresso, já que segundo a Polícia Federal, políticos e partidos teriam recebido propina das empresas beneficiadas pelo esquema criminoso. “Os envolvidos nesse esquema devem estar cientes de que a carne é fraca, mas a pena pode ser muito dura”, finalizou o parlamentar.

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