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Rejane Webster de Carvalho: Mulheres serão as principais prejudicas com aprovação da reforma previdenciária

No meu ponto de vista tem que haver uma auditoria nas contas da Previdência Social, tem que haver transparência, uma vez que são direitos constitucionalmente adquiridos desde 1988 e uma grande parcela da população será prejudicada, principalmente as mulheres agricultoras rurais. Nós, mulheres que lutamos por mais direitos às MULHERES se não levantarmos esta bandeira estaremos contribuindo para que as mesmas sejam mais penalizadas do que já o são.

Vejamos quais medidas, dentre outras, seriam extremamente prejudiciais:

A unificação da idade entre os trabalhadores, independentemente de sexo ou atividade – hoje a idade para as mulheres é de 55 anos e para os homens 60 anos, passando para 65 anos;

Desvinculação dos benefícios previdenciários em relação ao salário mínimo, gerando um reajuste inferior ao piso nacional. O benefício da Previdência Social é de um salário mínimo em média.

No campo estas medidas provocariam o êxodo rural, no geral, haja vista que conforme a pesquisa de 2016 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, a mulher agricultora tem uma expectativa de vida de seis anos e meio menor que a mulher que tem atividades na vida urbana, isto porque sua vida é sacrificada, trabalhando com chuva ou sol, de domingo a domingo exposta a pesticidas, inseticidas, sem descanso, uma vida bruta enfim.

A rotina dos agricultores rurais, homens e mulheres, em média, são de 18 horas por dia. Imagine-se que além de trabalhar na agricultura as mulheres ainda têm a sobrecarga dos afazeres domésticos e cuidados com o marido e filhos.

Quando falam que os agricultores são os responsáveis pelo déficit previdenciário, uma vez que não contribuem diretamente à Previdência Social para ter direito ao benefício, se esquecem que são eles os responsáveis pelas riquezas de nosso País. Esquecem-se de que quanto maior for a sua produção maior será a sua contribuição, uma vez que sofrem descontos de 2,3% no momento de sua venda da produção, dos quais 2,1% são destinados à previdência social e 0,2% ao Senar.

O grande culpado pelo déficit na Previdência Social não são os agricultores rurais, mas sim a ineficiência em gerenciar gastos respaldados pela falta de transparência que abala o sistema.

Rejane Webster de Carvalho é advogada, coordenadora Estadual do PPS Mulher/RS e tesoureira da Executiva Estadula do PPS/RS

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