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Ivan Alves Filho: Segurança pública e Forças Armadas

As rápidas respostas que as Forças Armadas vêm dando, por intermédio de seu ministro da Defesa, Raul Jungmann, à complexa questão da segurança pública no país, merecem aplausos e, também, algumas reflexões de nossa parte. Esquematicamente, alinhamos abaixo algumas observações:

1- Em hipótese alguma uma instância governamental pode admitir uma greve no setor de segurança pública. Negociações podem e devem ser feitas, desde que a greve se encerre.

2- Da mesma forma, condenamos invasões de locais públicos por parte de quem quer que seja.

3- Os interesses de uma determinada corporação não podem se sobrepor àqueles da população, como assistimos agora no Estado do Espírito Santo.

4- Não há nada mais perigoso, no tocante à manutenção da ordem democrática, do que a quebra da hierarquia e da legalidade. Deixar a bandeira da legalidade – como aquela – da luta contra a corrupção, aliás – nas mãos das forças da reação e do obscurantismo abre a via para todo tipo de aventureirismo.

5- A questão das polícias militares estaduais é extremamente delicada. Basta dizer que em 1964, os governadores dos principais estados do país – a saber, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – se alinharam com o movimento político-militar e deu no que deu. Em 1982, no bojo das eleições diretas, os novos governadores eleitos exatamente nesses estados, eram todos comprometidos com o retorno à normalidade democrática. O controle das polícias militares é, assim, uma peça essencial no tabuleiro democrático.

Ivan Alves Filho é historiador e escritor com mais de uma dezena de obras publicadas

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