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Carmen Zanotto quer debater planos populares com ministro da Saúde

Robson Gonçalves

Zanotto acredita que os planos de saúde populares possam não ser a “panaceia” para resolver a grave crise do SUS

A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) apresentou nesta terça-feira (09) na Comissão de Seguridade Social e Família requerimento de audiência pública para debater com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a criação de planos populares de saúde. A ideia do governo é que esses planos possam desafogar o SUS (Sistema Único de Saúde).

Como a mensalidade é mais barata do que as que estão sendo ofertadas pelo mercado, os defensores dos direitos dos consumidores temem que a cobertura a ser oferecida por esses planos deva ficar abaixo do mínimo exigido pela ANS (Agência Nacional de Saúde).

Durante reunião, Zanotto manifestou preocupação com a questão e defendeu amplo debate sobre o assunto. “A sociedade precisa ser suficientemente esclarecida sobre a criação desses planos, principalmente os consumidores e os integrantes dos conselhos de saúde. Somos da base do governo e precisamos ter acesso aos estudos que estão sendo realizados pelo grupo de trabalho”, afirmou.

Defensora da saúde pública e relatora da PEC Saúde+Dez, já aprovada em primeiro turno pela Câmara, Zanotto pediu cautela da parte dos defensores da ideia. Ela acredita que os planos de valores abaixo do mercado possam não ser a “panaceia” para resolver a grave crise do SUS.

“Pela nossa experiência como gestora e profissional de saúde, temos dúvidas de que o plano básico tenha a sustentação para bancar procedimentos de alta complexidade, exames e internações hospitalares. Será apenas a porta de entrada para o primeiro atendimento, depois, o paciente terá de recorrer ao SUS”, argumentou.

Carmen Zanotto sugeriu ainda que governo deva trabalhar pelo fortalecimento do Sistema e deixar que a atividade privada se encarregue de criar  planos de saúde, “cuja adesão é uma opção individual ou familiar“.

“O primeiro passo é reconhecer que o colapso do SUS é provocado pelo contínuo subfinanciamento, que se agravou mais ainda quando, no governo Dilma, foi incluída uma nova base de cálculo para aplicação de recursos em serviços de saúde”, explicou a parlamentar.

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