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Pensionistas de fundos se sentem assaltados pela má gestão de recursos e uso político de investimentos

A irresponsabilidade dos gestores dos fundos de pensão das principais empresas estatais aliada aos investimentos com orientações políticas, ao sabor dos “interesses” do governo do PT nos últimos 13 anos, causou um rombo nos recursos para bancar a aposentadoria dos seus beneficiários.

No Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, o déficit que vai ser coberto com a cobrança extra de contribuições revolta os pensionistas, destaca reportagem desta quarta-feira do jornal o Estado de S. Paulo.

Os pensionistas dizem que a cobrança atesta o “fracasso dos investimentos feitos pelo último governo e do desrespeito e negligência com o dinheiro dos trabalhadores aposentados”. Embora os gestores aleguem que o déficit é resultado da crise econômica, os beneficiários dos fundos são taxativos em afirmar que o problema foi a má gestão.

Veja abaixo a reportagem.

Pensionista da Funcef se sente assaltado

Aposentados, revoltados, reclamam que não houve crise, mas má gestão de seus recursos

O Estado de S. Paulo

A cobrança de contribuição extra para a Funcef é descrita pelos pensionistas como um “assalto” aos anseios de uma aposentadoria tranquila. Temendo a cobrança de novos déficits e acusando investimentos com orientações políticas, os beneficiários se reuniram em grupos em redes sociais para defender seus direitos.

“Nós contribuímos a vida inteira para ter uma aposentadoria tranquila. Mas vamos pagar pelos erros de aplicação dos nossos recursos. É muito revoltante. Vamos pagar por 17 anos, é capaz de eu morrer pagando”, relata Lilian Palmieri, de 58 anos.

Ela e o marido, Carlos, se aposentaram no último ano, após 34 anos de contribuição e serviços prestados à Caixa. Cada um teve descontado em seus benefícios mais de R$ 300. A preocupação, segundo eles, é com a possibilidade de novas cobranças nos próxi­mos anos, e com o impacto na poupança para gastos futuros com a terceira idade.

“Ainda teremos de fazer mais aportes, em função de aplicações indevidas e outros rombos. Não fomos consulta­dos se queríamos aplicar, ou de que forma, nessas empresas. Is­so é que causa indignação”, diz Carlos.

O investimento na Sete Brasil é um exemplo emblemático para explicar a origem do rombo no fundo de pensão que agora pesa para os participantes. A empresa foi criada em 2010 para gerenciar as sondas que seriam utilizadas pela Petrobrás na exploração da camada do pré-sal. A Funcef foi um dos vários fundos estatais que investiram na Sete Brasil e agora amargam perdas bilionárias. Estima-se que, em relação a 2015, deve registrar perdas de R$ 1,3 bilhão com o projeto. Envolvida em denúncias na Lava Jato e pela má fase do setor de óleo e gás, a empresa entrou em crise e pediu recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 18 bilhões.

“Não pode tirar dinheiro dos aposentados e colocar em uma empresa natimorta, gerada na falcatrua”, desabafa a pensionista Gigi Reis, de 56 anos. “Essa cobrança é o atestado de fracasso dos investimentos feitos pelo último governo e do desrespeito e negligência com o dinheiro dos trabalhadores aposentados”, completa.

Além da Funcef, outros fundos de pensão das principais empresas estatais devem fazer cobranças adicionais aos participantes nos próximos anos. Postalis, dos Correios, Petros, da Petrobrás, e Previ, do Banco do Brasil, também apresentaram déficit técnico nos últimos dois anos.

Ao todo, o rombo dos fundos de pensão pode passar de R$ 40 bilhões. Os números de 2015 ainda não foram finaliza­dos e devem ser entregues à Previc, órgão que regula o setor, até agosto.

O rombo se refere ao valor que os fundos deveriam pagar se fossem cobrados, hoje, portodos os benefícios.

As normas para a cobertura dos déficits foram revistas em dezembro. As novas regras ampliaram o teto de déficit que os fundos poderiam atingir para evitar aportes adicionais. Além disso, oferece­ram maior prazo para os fun­dos equilibrarem suas contas, dando fôlego para as controladoras.

Gigi também demonstra preocupação com o Projeto de Lei 268, em tramitação na Câmara, que prevê mudanças na composição de diretorias e conselhos dos fundos de pensão. O governo interino suspendeu novas nomeações até a apreciação do texto. Hoje, a diretoria da Funcef tem um representan­te dos aposentados. Também há representantes eleitos nos conselhos de administração e fiscal. “Com a mudança, ficare­mos à mercê das patrocinadoras, que têm voto de Minerva”, diz.

Aposentada desde 2012, ela coordena um grupo na internet que estuda a gestão dos fundos e cobra de representantes informações sobre a situação financeira da administradora. “Começamos a suspeitar que as coi­sas não estavam bem e procuramos saber. Havia resistência na Funcef em dar explicações, vendiam como se estivesse tudo um mar de rosas, fantasiaram resultados.”

Segundo a pensionista, além do aperto financeiro que poderá afetar gastos com plano de saúde, filhos e netos, a cobrança representa “um aviltamento do pon­to de vista psicológico”. “Tinha a ilusão de que teria paz na aposentadoria, agora não sei como pagar essa obrigação até o fim da vida.”

Ainda na ativa, o servidor Nilton Castro, de 57 anos, calculou que terá de aportar R$ 57 mil no total, além da contribuição mensal de 12% sobre seu salário. “Não são dois meses, são 17 anos. É o valor de um carro que estou pagando para alguém que usou indevidamente a minha aposentadoria. Não foi crise, foi má gestão”, completa.

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