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Istoé Dinheiro destaca crítica de Jungmann a estretégia de segurança para Olimpíadas adotada pelo governo Dilma

Virada olímpica

O governo Temer corre para tomar pé da organização e aparar arestas para a Olimpíada no Rio de Janeiro. A preocupação maior é com a segurança

Carlos Eduardo Valim – Istoé Dinheiro

A menos de 80 dias da cerimônia de abertura da Olimpíada do Rio 2016, há pouca margem de manobra para mudanças radicais na organização do maior evento esportivo do mundo. Mas, além de Dilma Rousseff ser substituída por Michel Temer como chefe de Estado anfitrião da festa de abertura dos Jogos, outros pontos importantes podem mudar. Nos primeiros dias da nova equipe ministerial, algumas indicações já foram dadas. Na segunda-feira 16, Temer convocou todos os ministros envolvidos com o megaevento, para tomar pé da situação.

As mais intensas modificações podem acontecer no plano de segurança da Olimpíada, a julgar pelas declarações de Raul Jungmann (PPS), ministro da Defesa. Ele criticou a estratégia adotada pelo governo anterior. Segundo ele, a maior preocupação “no curtíssimo prazo” era a questão de inteligência e da infraestrutura da cidade. “Há um déficit de atenção do governo federal até aqui, já que grande parte dos compromissos tem sido arcado pela Prefeitura e pelo Estado do Rio, que está enfrentando graves dificuldades financeiras”, disse. Quanto à infraestrutura, a preocupação está nos transportes.

Mas dificuldades em energia e comunicações também podem ser encontradas. O novo ministro do Esporte, o carioca Leonardo Picciani, pretende examinar os contratos em andamento na pasta e ampliar o controle, sem paralisar as obras. Entre os projetos ligados ao ministério, estão o Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem, realizado pela Galcon, e a construção e reformas dos Centros de Treinamento, liderados pela OAS, a 99a maior empresa do País no ranking AS MELHORES DA DINHEIRO 2015.

Mas as maiores dúvidas estão na área de inteligência. “Houve uma retração nos órgãos de inteligência dos outros países em relação a nós porque não havia atenção federal para este setor”, disse Jungmann. O descuido, que impactaria na prevenção contra ataques terroristas, seria simbolizado pela falta de recursos e pela transferência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), agora subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para a Secretaria de Governo. O deslocamento foi revertido por Temer, que pretende remodelar a agência. A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro quer o Exército nas ruas durante os Jogos.

O secretário José Mariano Beltrame reivindica 15 mil soldados para garantir a segurança nas ruas. Com razão. De janeiro a abril, os homicídios dispararam 15,8% ante 2015. “Além disso, com os atentados na França e na Bélgica, o plano mudou muito. Antes, havia a lógica da soberania nas estratégias de segurança, mas o Brasil teve de abrir mão disso e começou a receber apoio estrangeiro”, diz o especialista no assunto, Fernando Brancoli, da FGV . “Não se sabe quem está vindo para cá, mas há representantes da inteligência de Israel, França e EUA com presença na organização e compartilhando informações.”

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