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Correio – Brasília tem a maior inflação do país: 11,95%

RODOLFO COSTA – CORREIO BRAZILIENSE

A alta dos preços castigou o bolso dos brasilienses. Em 2015, a inflação na capital federal medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), subiu 11,95%. A variação foi a maior entre as sete capitais pesquisadas, ficando acima da média nacional, de 10,53%.

Além de Brasília, três capitais registraram alta acima dos dois dígitos: São Paulo (11,58%), Porto Alegre (10,85%) e Rio de Janeiro (10,44%). Em todas as regiões metropolitanas o aumento da carestia foi relacionado às pressões exercidas por preços administrados, aqueles que são controlados pelo governo, como combustível, água e energia elétrica. Na capital federal, a alta decorreu principalmente do aumento de 50% da tarifa de ônibus urbano, afirmou André Braz, economista do Ibre-FGV. “O reajuste comprometeu 3,3% da renda das famílias”, explicou.

Dólar

Em 2016, o custo de vida continuará minando o poder de compra. A expectativa do Ibre-FGV é de inflação de 7,3%. Como muitas categorias fecharam acordos de reajuste salarial abaixo da inflação, será difícil para as famílias manterem padrão de consumo melhor que o do ano anterior, ressalta Braz. “A inflação menor não significa que os preços vão cair. Eles vão subir a um ritmo mais lento”, avaliou.

O próprio avanço da carestia em 2015 compromete a expectativa de inflação abaixo do teto da meta do governo, de 6,5%, em 2016. Muitos preços, como os de mensalidades escolares, embutem a variação da inflação do ano anterior. Essa é uma forma de as empresas e prestadores de serviços recuperarem parte dos prejuízos sofridos. Além disso, elevações de ICMS e reajustes de tarifas de ônibus urbanos, já em vigor no início deste ano, vão pesar no custo de vida.

A carestia também deverá ser sentida nos supermercados. Mudanças na economia mundial, como a alta de juros nos Estados Unidos, devem provocar saída de capitais do Brasil e maior desvalorização do real. Com o dólar mais caro, produtos cotados na divisa terão os preços reajustados nas gôndolas. Para Braz, o único fator que pode frear o avanço do custo de vida é a própria queda da demanda. “O aumento do desemprego inibe o consumo das famílias. Da mesma forma que há espaço para os preços continuarem subindo, há limitação dada pela renda das famílias”, avaliou.

Prejuízo com feriados

Os feriados e os pontos facultativos federais causarão prejuízo de R$ 54,6 bilhões às empresas em 2016, projeta a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). O valor é inferior aos R$ 64,6 bilhões do ano passado, e corresponde a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do país. Dos 10 dias de folga em dias de semana — sendo sete feriados e três pontos facultativos — ,três vão cair na terça ou na quinta-feira, o que, na avaliação da instituição, facilita o “enforcamento” de um dia.

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